domingo, 4 de outubro de 2009
Personagem
É tão grande e intenso meu movimento interno, meus contrastes de opiniões todas no mesmo cérebro, uma máquina de mudança, uma inconstância que até incomoda. E se é complicado para mim, imagina para os outros?
Ás vezes quando não, sempre, sinto vergonha dos meus atos passados. E é estranho porque acredito que na época do ato eu tinha plena convicção de que aquilo era o certo, ou o bom.
E quando acontece essas crises de vergonha e arrependimento, é uma resistência tão grande a mim mesma que começo a transpô-las para as outras pessoas e achar que elas me reprovam, quando quem dá a sentença sou eu mesma.
Escrever sempre me trouxe um pouco de luz e direção, ainda mais que às vezes eu nem me lembro da minha opinião passada, e escrevendo consigo dar uma linha do tempo á minha vida, e propor mudanças mais conscientes do que aquelas que me pegam de surpresa.
Onde, quando e como devo mudar. E Se devo mudar.
No momento acho que preciso fazer várias coisas de modo diferente.
Vale sempre relatar para não esquecer amanhã todas as coisas que gosto, tudo que admiro, as coisas que acho que eu deveria mudar ou valorizar em detrimento de outras. Escrevo sobre as coisas que eu deveria pensar, ou as que deveria esquecer. Como se no papel eu colocasse a descrição da personagem que devo interpretar...E acho plausível já que concluí que a gente nunca é algo fixo...sempre somos o que queremos ser. Bem...essa é a verdade pra mim, até o dia que eu mudar de opinião. (No final das contas sou sempre uma extraordinária contradição impostora)
Penso nos meus erros, tento não me corroer de arrependimento e sim desenvolver meios de não errar mais.(Até agora não deu certo)
Talvez essa minha mudança interna seja responsável por eu nunca estar no mesmo lugar ou com as mesmas pessoas. E nem é culpa das pessoas...eu que sempre sumo, me afasto.
Pessoas, livros, teorias, faculdade, comida, roupa, modo de falar, humor, crença, horários, lugares...tudo isso varia tão fácil.
Às vezes evito pessoas só pelo fato dela ter me conhecido numa fase na qual tenho lembranças ruins...porque a pessoa me faz lembrar de um ‘’eu’’ que não gosto mais. O individuo não tem nada a ver com isso, mas às vezes chega ser o suficiente para eu me sentir incomodada, desconfortável. Esse aspecto tenho que mudar. Dar mais atenção às pessoas e não ao meu mundinho interno e suas esquisitices.
Demasiadamente egoísta, criativa, instável. É assim que me estabeleço.
Sempre falando e pensando em mim...e como algo distante na qual observo. Eu não passo de um personagem que criei quando me separei de mim. Converso com paredes e espelhos...me imagino no palco. Quando quero mudar escrevo no papel meu novo personagem. E o interpreto no dia seguinte.
Agora é 01:06.
Liege
domingo, 5 de julho de 2009
Bastidores
São chagas mais ocultas...pouco explícitas...talvez apenas aos olhares mais atentos...talvez essa seja tão específica que só os que compartilham feridas semelhantes podem identificar um ao outro.
Ela abre lentamente a blusa de botões madre-pérola....e colocando a mão sobre a pele branca...ela indica a ferida....no peito , mais a esquerda. Então ela abre a costela e desnuda um horizonte vermelho e úmido....e lá no centro...ela indica com os dedos os restos de um coração que fora deveras apunhalado...cena dura demais aos olhos. Ela entenderia o repúdio à cena...então pede que feches os olhos...segura delicadamente sua mão direita....e leva à sua bomba cardíaca falida...que , no entanto , mesmo machucada , bate rapidamente , fortemente...ela o faz acariciar esses restos machucados...faz com que toque duas grandes feridas meio abertas e meio cicatrizadas...e muitas outras cicatrizes alvas...todas elas feitas por sinceros punhais escondidos por detrás de olhos amenos e agradáveis...por detrás de palavras sinceras....por isso agora ela tem medo de palavras , medo de olhares carinhosos...medo de toques de desejo...de beijos molhados...
Bem-vindo às feridas vergonhosas e amargas. Pois existem as feridas dos honrados pela vitória sobre a batalha da condição humana....eis que existem também os feridos com vergonha das lágrimas nos olhos e horas passadas em vão..pensamentos noturnos e perguntas sem respostas.
Porém...ela aprendeu a suportar essa dor com uma falsa dignidade...falsa porque por vezes essa dignidade some no escuro da noite , sobre a solitária cama e sob cobertores espessos...então ela despensa a dignidade e assume a vergonha de ter naufragado como uma criança e deixado que fizessem feridas em seu pequeno coração de menina...
Mas ela é da raça dos insensatos , da raça dos que costuram as próprias feridas...fecham as costelas e olham para o horizonte como se fosse novo...e caminha por entre campos de flores com alegria no olhar..respirando este perfume doce...e imaginando quando aquelas marcas também se tornarão flores...
E ela volta a acreditar em olhares e em palavras.
Pois ela a cada dia aprende não a não naufragar....e sim a se afogar com dignidade.
...falsa? sim...
Mas tudo que repetimos várias vezes pode tomar o caráter de verdade.
Ela às vezes sente dificuldade de respirar.
Mas possui um ser tão forte e convicto que sabe como carregar a si mesma , suas feridas ocultas ou não , seus dramas e tragédias e comédias...seu ser carrega com vitalidade.Mesmo que caia uma vez ou outra.Ela assume as conseqüências de existir com honra.
Liege Simon Adjuct
Alternativa número três
Desce alguém para pegar e assinar.
Esse alguém sobe...abre a carta.
Era uma intimação. Ela deveria comparecer no dia seguinte , ás 8 horas da manha e um tal lugar.
Curiosidade.Mau pressentimento.
Dia marcado , 8 horas. Ela deveria ir sozinha e levar a carta.
Sala pequena , aspecto frio.
Uma cadeira dura de aço polido.
Uma porta preta.
Uma placa na parede ‘’ sala de espera ‘’.
Mais nada.
A porta se abre.
Ela entra.
Uma sala ampla.
Quase vazia. Uma mesa de madeira escura , um computador. Uma cadeira aparentemente confortável , couro preto. Alguém sentado nela.
Esse alguém olhando para o computador pede para que ela sente-se na cadeira do outro lado da mesa. Novamente cadeira dura.
Ela senta.
Ele finalmente pergunta :
- Louise Lyncax Lion ?
- Sim.
- Preste bastante atenção. Disse o homem fitando o olhar da garota friamente.
O homem era calvo , olhos castanhos. Rosto quadrado , queixo protuberante.Barba bem feita , pescoço esguio , posição ereta. Óculos.
Nem feio nem bonito. Ela não chegou a decidir sobre isso...pois ele começara a falar algo que tomou toda sua atenção e fôlego.
- Você esta sendo formalmente acusada por perturbar a ordem e a sanidade mental do seu ambiente de contato. Por pensar contrariamente às normas do nosso sistema e da nossa sociedade. E por influenciar e fomentar outros cidadãos a pensarem de tal modo , que por sua vez é incorreto e não adaptado.
Você também esta sendo acusada de inadaptação ao seu meio.
Tememos que sua doença mental seja contagiosa.
Ela estava estática , nunca imaginara que existisse um padrão fixo de pensamento e atitude.Mesmo sabendo que havia certos critérios para separar uma coisa ‘normal’ de outra ‘não tão normal assim’. Mas não sabia que agir e pensar contra tal ‘norma’ era contra alguma lei ou regulamento.Ela era inocente e acreditava na liberdade de expressão.Ao menos sempre ouviu falar que tínhamos direito à ela , ou no mínimo de falar e pensar do modo que quiséssemos. Por isso ela estava estática...parecia um pesadelo , ela queria rir , contra-argumentar com muita veemência. Acordar! Mas algo parecia diferente , algo a fazia sentir que não , não era um sonho. Nem pesadelo. Era uma realidade que até então ela não conhecia. Uma parte do sistema que poucas pessoas deveriam ter conhecimento : O Centro Regulador.
Parecia filme , seriado , novela...tudo , menos real.
E isso tudo ocorreu-lhe em segundos enquanto o homem tomava ar para continuar a falar friamente.
- Você , Louise Lyncax Lion , está sendo formalmente expulsa do sistema.
Mas o Centro Regulador lhe dará três alternativas para dar continuidade à sua vida.
Ele continuava falar sem dar espaço para qualquer contra-argumentação.
Ela estava de boca aberta , olhos arregalados e uma sobrancelha arqueada em sinal de extrema dúvida e assombro. Seria cômica sua expressão , se o contexto não fosse trágico.
-Alternativa um : Você tem será transportada e encaminhada para um centro de recuperação mental. Lá a tratarão com os cuidados necessários para erradicar seu distúrbio e sua incoerência.Ficará num quarto confortável com livros e filmes à escolha do Sistema para complementar sua Adaptação.Terá dieta regulada , atividades físicas moderadas. E usará um aparelho de monitoração do seu pensamento.
( Nesse momento ela se pergunta : Isso existe? )
Sua saída só será permitida após nove anos de treinamento adaptativo.E após nove rígidos testes para comprovar a eficácia do tratamento de modo positivo que não deixe margens para erros , nem que você possa dissimular uma mudança.
- Alternativa dois : Poderá ser imediatamente encaminhada para um hospital onde será feita uma lobotomia retirando cirurgicamente a área afetada do seu cérebro. Incluindo mudanças com uso de dispositivos que serão implantados no seu sistema límbico : Amígdala , Hipocampo , Hipoálamo , Talamo , e nas demais áreas diretamente relacionadas.Além de uma medicação de controle.
Em duas semanas poderá voltar para casa onde ficará sendo monitorada durante um ano para a verificação dos resultados.
- Alternativa três : Poderá ser deportada.
Colocamos três países à sua escolha :
Namíbia : África
Iêmen : País árabe que se encontra no sudoeste da península arábica.
Cazaquistão : País oriental.
-Você tem uma hora para decidir.
Neste momento o homem olha no relógio e diz: Começando agora.
Ele levanta-se , aperta um botão desligando o computador , e sai da sala.
Louise permanece por uns cinco minutos num estado indefinido.
Após isso ela começa a pensar , seu cérebro vira uma máquina jorrando pensamentos e emoções , dúvidas e iniciando o estado de pânico.
Mas ela sabe que o tempo esta passando e não tem tempo para divagações.
É necessário escolher.
Ela pensa em como fugir : impossível.
Fingir desmaio? Não...
Suicidar? Não!
Quando ela tenta levantar para usar o computador , uma luz vermelha pisca no teto e uma voz metálica surge de algum aparelho de som situado na sala : Sente-se , não será permitido usar qualquer objeto da sala.
Ela senta.
De súbito...uma pontada de gelo surge no seu órgão bombeador de sangue. E esse frio tenebroso quase doloroso se espalha pelo seu corpo , chegando na cabeça ...ela sente tontura , começa a suar. Mesmo não sentindo calor. Ela sente que falta ar.
Fecha os olhos com força e abre novamente : ela continua na mesma sala.
Vamos , faça uma escolha! Pense! – Diz para si mesma.
Hospício? Nunca!
Lobotomia? Nunca!
Mas que países estranhos!
África? Fome...aids....guerras. Não.
Iêmen? Pessoas fanáticas. Não.
Vai o Cazaquistão mesmo...
Nessas horas um Atlas faz falta...ou ter prestado atenção nas aulas de geografia...merda!
A porta se abre.
- Já se passou uma hora. O homem entra na sala.
Qual sua decisão?
- Terceira opção , Cazaquistão.
Ela sente que seguram forte seu braço , o homem não entrou sozinho.
Sente uma picada...tudo escurece.
Perde a consciência.
(E mal ela sabia que a escolha não fora sua...já haviam escolhido para ela.)
O Parto
Seu corpo suava,
Seu peito mal suportava o movimentar frenético da respiração eufórica.
Parecia que ia morrer...mas não...
Naquele momento ela acabava de nascer.
Olhava-se no espelho.
Olhos fixos nos próprios olhos refletidos...lábios entreabertos.
Contemplava seus olhos vazio porém inundados...
Esse vazio era peculiar , diferente...era um vazio fértil...e ela sentia a dolorosa semente penetrar na terra de seu ser , terra úmida regada do seu próprio suor e sangue...uma terra virgem e vazia a espera da semente do despertar.E a semente despertava naquele momento...
O Despertar é sempre doloroso...porém uma dor libertadora.
A dor de ser livre.
Aquela semente naquele momento se rompia para surgir o broto...
E doía , doía , doía....
Como um recém-nascido ela gritou, colocando o rosto dentro da água que empoçou na pia e gritou.
Um grito silencioso , abafado , afogado...mas vivo.
Ela acabara de suicidar.
E de fazer o próprio parto.
Era esse apenas mais um dos seus processos contínuos de auto-destruição e autoconstrução.
Morte seguida de vida e de morte e de vida.
Ela se lapidava como quem fazia uma escultura de forma perfeccionista.
A perfeição não era utopia.Mas horizonte e destino.
Porém...havia algo que a acompanhava neste contínuo processo e sobreposição de acontecimentos internos e externos chamado: vida.
Era uma cicatriz eterna , grande chaga dolorosa em seu peito...seu estigma.
Ela tinha uma doença.
Era o que ela via agora diante do seu ser re-nato.
Cada vez mais nítida que nunca.
Liege Simon Adjucto
Das Beste ( O mais importante )
Eu sempre sei o que meu ser quer...mas nesse caos urbano de vozes internas e externas...de emoções, desejos ânsias...todas essas coisas que não fazem parte de mim...tudo isso confunde a trajetória.Confunde a voz mais real e pura de todas.
Talvez você já tenha sentido que no meio do caos que se instala dentro de você...no meio de emoções, hábitos, vícios, sentimentos, pensamentos, desejos e medos...parece que quando você sem querer para de ouvir todo esse caos uma voz parece sobressair...e você se sente em casa nesses curtos segundos que duram tão pouco...porque essas coisas costumam acontecer muito rápido. Quando você está andando na rua distraído...quando está no ônibus com o olhar perdido...ou quando esta olhando pela janela...ou uma flor, ou o céu..paisagens...figuras...quando você pára para respirar e faz com que seu caos te dê um tempo. Quem já conseguiu isso? Sabia que tem como tornar esse momento uma plenitude? Eu acredito que sim...ou que pode ser mais facilmente acessível....como um recanto secreto que ninguém mais conhece, seu lugar especial...somente seu.
O refúgio
Meu recanto é uma clareira numa floresta bem estranha...cujas árvores são grandes e agregadas...cujo solo de terra úmida se mistura com folhas secas fazendo surgir um cheiro característico...é nessa mesma terra que enfio meus dedos tentando me enterrar e me sentir parte dessa floresta singular que ninguém nunca viu a não ser eu.
Acontece quando abro a porta do meu quarto e encontro um campo verde imenso...e um céu absolutamente azul....e caminho por ele , já de pés descalços...ate chegar à minha floresta...no inicio caminho...depois começo a flutuar porque perto da minha clareira um tapete de flores cobre o solo...e eu me nego a pisar nelas...então vou vagando ate o lugar aberto...em cujo centro uma grande pedra se estabelece...pedra fria que abraço em certos momentos...que me sustentou por vários outros. Aquele solo macio me cobre...e chove nessas vezes em que eu resolvo me sentir parte dessa terra negra...então tudo fica molhado e me sujando com essa terra me sinto mais limpa....enfio os dedos na lama sentindo a vida por baixo disso tudo...e permito que os insetos andem sobre minha pele...aranhas, larvas...e todas as coisas vivas que por ali estiverem....e os lobos sempre aparecem para lamber meus olhos úmidos.As aves...e o espírito das plantas...
Ali eu sinto meu ser na íntegra...
Estou a construir novos lugares...um deles é meu campo de girassóis...
Você deveria ter os seus.
Nesse meu lugar eu me limpo da humanidade...e de qualquer coisa, qualquer agregado....qualquer sentimento é absorvido pela terra...qualquer lágrima é consumida pelos lobos, pelas feras...e eles me libertam...e eu fico ali...meditando e contemplando.
A altura.
Liege Simon Adjuct
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Metalinguagem
só sei que aqui está
essa vontade de dizer
algo que não quer se calar.
ó, mas que poesia fútil!
Que rima inútil.
Tu gostas de poesia?
Olhares, palavras, sim, não.
Mas o prazer é descomunal.
Caminhar, conhecer, amar e desamar.
Me soltar em pedacinhos de folhetos e letras e desenhos.
Para que um olhar atento se atenha, e me diga, e me fale, não importa o preço.
Assim, sem chefe, sem uniformes, sem horários...
Onde posso ter tatuagens e cabelos de fogo.
Onde eu menos espero encontro um diálogo sincero.
Meu propósito além de me espalhar como pólem ao vento?
Com palavras ás vezes tristes mostrar que a amargura é só um lado da felicidade, nem melhor, nem pior , do lado de dentro ou de fora, mera questão de impressão, valores, imaginação.
A condição humana, frios? Humanos? Pedras?
O tempo? Morto? Vivo? No relógio? Ele existe...? Talvez nas rugas, mas e no Ser? E quando tudo está estático...morto o tempo está para os que se renovam a cada dia!
Senhor, Senhora, Senhorita!
E quanto estamos naquela fase da vida na qual parece que estamos num deserto...num ponto neutro, onde nada acontece nem dentro nem fora de nós?
E quando tentamos entender um pouco da vida e mais nos desentendemos com ela, enfim...
...e aqueles momentos que parece que algo está entalado na garganta nos asfixiando?
Cuspamos fora!
Ai! E as dívidas, as dores de cotovelo, as doenças.
Os maiores problemas que nos afligem.
Se tu soubesses o quão grande e sublime és.
E o quão pequeno e ínfimo também tu és.
E que mesmo assim és capaz de mudar o mundo...
É sobre isso que escrevo : humanidade.
Os deuses têm inveja de nós , oras!
Escrevo sobre as dores mais fúteis às questões mais complexas da existência humana.
Ás vezes soa com um timbre de melancolia, mas leia com olhos atentos e verá além da poesia!
E dê um crédito a escritora que sofre de depressão e transtorno bipolar ( risos )
O que importa é que ao ler algo desperte, um sentimento, uma lembrança, uma emoção.
O melhor é que leve à subversão de valores e faça ver o mundo com outros olhos.
Ou ao menos que alguém se encontre em minhas palavras.
Chega de me apresentar,
só lendo-me poderão me conhecer.
Só olhando para dentro poderão se conhecer.
Tudo não passa de um olhar...
Para quem sabe, alguém possa se encantar...
E assim, eu não mais me desencantar
com as horas e noites insones que passo escrevendo...
Esperando você, você mesmo que está lendo.
Me encontrar.
Minha Felicidade
Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar
Depois que um vento se opôs a mim
Navego com todos os ventos
(Nietzsche - Gaia Ciência )
Liege Simon Adjuct
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Estrela em queda
Prefiro a luz do meu silêncio
Ele diz muito mais e enxerga através dos espelhos e das coisas ausentes.
Mortas sem palavras e de promessas pendentes
É onde eu espero o fim de uma estrada que eu caminho...
Sem chegar...
Aquela escada.
Que leva para cima ou para baixo...não importa muito o lugar...
Já ando sem direção agora
E nem sei mais se quero chegar...
O caminho ou qualquer lugar
Tem cheiro de tédio e desilusão...
então deito-me sobre o chão
E espero nos sonhos...
O que não consigo encontrar...
e então espero que eles me encontrem...
Antes que seja tarde demais
Para alguém me salvar.
É nos maiores sorrisos que se escondem as grandes tragédias.
Tu vês como meu lábios o projetam , e o quanto meus olhos não enganam?
Queria escrever algo otimista e belo.
Sei que está em algum lugar...
Mas já cansei de procurar
Por hoje
Quero apenas me deitar.
Deixe que eu me vá...
Deixe que eu me vá.
Assim será mais fácil
Assim terá mais honra
Mais beleza...do que se eu ficar
Sem certeza
De que conseguirei me curar...
Dessa pavorosa tristeza
que roubou qualquer coisa do meu olhar.
Na saúde ou na doença
Nem comigo quero ficar...por isso nunca fiz promessas
Para depois as quebrar
Deixei sempre recados , alguns dizendo que eu iria voltar
Procurei respostas
Recebi promessas...que eu preferi negar
Para ficar apenas a intensão
De algo que eu sei
Que também iria se quebrar.
Por isso nunca gostei das palavras assim ditas , entregues como frágeis espelhos distorcidos num momento de irracionalidade.
As pessoas deixam-se mudar até as coisas que deviam ser fixas. A palavra e a promessa.
Mudam o que não deviam mudar...
E inflexíveis gessos nas asas.. eu acho até cômico e trágico – não podem nem voar!
Como eu que tenho no coração agora apenas asas...grandes asas para não mais me apegar
à palavras , enganos e promessas.
Por isso , nunca mais iriei me quebrar.
A minha grande promessa não foi feita a pessoas
E sim às estrelas.Disse que deixaria um legado a contemplar...
E parece ironia , pois será um legado de palavras
Para que qualquer pessoa possa encontrar
Tantos ditos de tristeza ou de mágoa
E também de alegria e vitória
Mas onde reside minha glória
São nas palavras de subversão
Das minhas angústias medos
Da minha própria condição.
Que se eleva para os céus...junto das prometidas estrelas.
É onde quero morar...
E cair...numa bela noite...
deixando um risco no ar.
Enfim poderei partir...
[quem sabe quantos pedidos farão ao ver a minha estrela cair...]
LiEGE
terça-feira, 17 de março de 2009
Detalhes
O gosto é aveludado, docemente amargo.
O dia é claro, nublado...
e venta. [ Deus está no vento ]
O lugar? Uma grande janela de madeira dando vista para umas poucas casas.
[Isso não impede que meu pensamento transcenda esses tijolos]
O som? No ritmo certo, sempre.
Nas mãos além do cigarro? Oscar Wilde mofado. Cheiro de livro de sebo, usado, lido, mastigado, fatigado : relido.
E é no segundo que a ultima gota de capuccino bambeia nos meus lábios.
Que a braza queima suavemente e o cheiro do tabaco.
É no momento que meus olhos descansam no acaso com total descaso...
...nesses curtos e simples momentos quase inotáveis, neles eu me encontro.
[Um pouco de paz.]
Aquela integridade que a gente costuma deixar poraí nas esquinas da vida.
Solidão? Macia...necessária.
Assim a tarde passa, a noite chega, a musica muda, o cinzeiro enche.
Dias e dias, a mesma janela...
O mesmo quarto...
O mesmo hábito...
E um protagonista diferente.
Todos eles sou eu.
Absoluta sinestesia.
[...que me integro catando esses detalhes de prazer quase banal...quase despercebido, alí...no piscar de olhos. Meus detalhes...meus detalhes...
Tão meus...que adoraria compartilhar com alguém, porque sei que eles continuariam sendo meus....e eu não iria mais me perder poraí desamando a vida das coisas ingênuas]
Liege
domingo, 8 de março de 2009
Inconsciência
Dessa vez dependo do seu perdão.
Dessa vez eu errei
sem saber.
Sei que você teve pouco tempo para me conhecer.
Essa é minha ultima chance.
Então releve esse instante, para que eu volte a viver.
Não consigo dormir, não consigo comer.
Só consigo pensar em você.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Xadrez
Qual será o problema?
Por que as coisas me afligem nos horários mais vazios?
Não poder ligar para ninguém...
Contar.
Me disseram para eu ser eu mesma sempre.
Levo isso ao pé da letra e me ferro...porque ta todo mundo cheio de armaduras e armados até os dentes.Quando você quer apenas conversar, eles te colocam num tabuleiro de xadrez.
Eu não gosto de guerras assim.
Eu não tenho armas, nem máscaras, nem armaduras...
Só um tanto de palavras sinceras.
Ser ou não Ser , eis a questão...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Agulhas
Ele não será vermelho, mas será colorido, pintado...com agulhas.
Quantas vezes terei que me lembrar da minha natureza...imersa na multidão de incolores, eu , a única policromática caminha sozinha na multidão de sorrisos vazios e embriagados.
Não quero ser crítica, prometi guardar somente pra mim a visão do inferno na multidão de zumbis.
Isso tudo para lembrar quem eu sou.
Tantos normais fingindo de loucos. Eu, louca, fingindo de normal.
Mas eu me pinto, mais e mais, mais estranha, mais bizarra.
Mais misteriosa, mais eu, singular.
Me orgulho...meu psiquiatra e ''mestre'' diria para eu não me pintar senão meu destino seria ser banido da multidão.
Não, ele não conhece meus modos de agir...como um príncipe de maquiavel.
Quando eu quero, eu mesmo me segrego.
Quando eu quero, eu mesma me agrego.
Tem lugar que vale a pena, outros não.
Mas sempre serei aquela.
Louca.
Mas feliz, orgulhosa, independente.
Amando e respeitando meus amigos, procurando contribuir com a felicidade de quem merece.
O resto que não vale a pena merece o descarto bruto.
Existe gente que se joga no buraco dos meus conceitos por coisas pequenas.
E outros que crescem por coisas tão pequenas quanto.
E eu?
Continuo sorrindo, de cabelos vermelhos, tatuada, atrapalhada, falando demais, brincando demais, fazendo o que ninguém faria, sempre com meus amontoados de livros rabiscados, e cigarros, aquela coisa tão estranha pequena e ocultamente transparente.
Orulho-me disso, dessa falta de jogos...[apesar de amar jogar um xadrez]
Dessa falta de máscaras.
Nesse teatro, quem sou?
A observadora.
Sempre na espreita, como um lobo...farejando.Sinto esse cheiro de podridão fácil.
Também, meus caros, com tantas pancadas eu deveria aprender a ser mais astuta.
Aprendi.
Depois de tanto esmagar minha auto estima, agora orgulho-me disso que sou sem medidas, ate parecer incoveniente.
Mas sei de todos meus erros, falhas e de cada parte de mim que apodreceu.
Sei que não fui capaz de respeitar e manter o maior tesouro da minha vida.
Fui medíocre, falsa e tudo de pior com quem não merecia.
E tive o troco, a terra girou, o mundo deu voltas e eu paguei olho por olho, dente por dente cada segundo que causei. Pago com honra, eu merecia.
Então com perdas e ganhos,
a brisa do vento, verde dos campos.
Eu, pássaro pintado, eternamente único...quase um lobo solitário lendo sobre política.
Segregado e agregado, reconheço meu destino.
Conheça-te a ti mesmo.
Eu me conheço. Cada dia.
E você que se esquece, que muda, que apaga suas cores, que se agrega a multidão de zumbis e cascas.Você normal que se finge de louco, no fundo quer fazer parte dos risos vazios por medo de levar o peso de ser quem tu és.Digo isso a todos e a ninguém.
Como Zaratustra dizia.
''also sprach zaratrustra, eine buch fur alles und keine''
[Assim falou Zaratustra, um livro para todos e para ninguém.]
''Torne-te quem tu és''
E quantas agulhas hão de marcar meu corpo lembrando-me de quem sou?
Dor e Cor.
Eu escolho. Eu assumo. Não tenho medo.
Estou rindo sempre do desespero.
Como dizia o rei espartando quando falaram que flechas iriam tampar o céu:
- Então lutaremos na sombra.
Liege
Eine rot blume! :)
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Sonneuntergang
Abandonou muita coisa importante...e seu próprio corpinho precário.
Ele apenas tombou na areia como uma folha que cai levemente ao sonneuntergang (por-do sol).
Eu sempre tentei explicar a característica dos pássaros: rápidos, velozes, fugazes, solitários, frágeis , corajosos, ambiciosos...como se nenhuma altura fosse o bastante...como ícaro, nós, pássaros cairemos um dia do lugar mais alto...o chão se espatifará como um espelho.
Destino de pássaros.
Eu já tive um...ficou na minha gaiola alguns dias depois fugiu. Deu aquele vazio no meu coração...eu ia alimentá-lo todos os dias e ouvia ele cantar.
Depois descobri que ele prefere voar no risco e viver na iminência de morrer de fome do que ficar numa gaiola. Ele sente falta de mim...mas a natureza de cada um fala mais forte, um dia ela simplesmente grita e se você não ouve é como um suicídio pior dos que eu já tentei.
Já estive no buraco diversas vezes.
Dessa vez alguém me tirou de lá, pela primeira vez alguém me salvou.
Disso eu nunca vou esquecer, sei que ninguém mais vai me salvar se eu cair, eu levantarei sozinha...mas dessa vez não sentirei ódio de ninguém porque me lembrarei de você...e eu não posso sempre depender de alguém para me salvar, mas foi bom ao menos uma vez...foi muito bom...acho que eu nunca fui tão feliz.
Mas não posso ficar pra sempre...eu queria.
Minha natureza não deixa.
Ninguém vai entender.
Como ninguém entende muito porque o pequeno príncipe foi embora.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Pensamento
Ninguém entenderia.
A culpa não é de ninguém.
Eu nasci assim, só isso.
Eternamente Pássaro Pintado.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Fim
Me expressava relativamente bem, um pouco pessimista talvez.
O texto abaixo mostra um pouco do meu ultimo grito fora de um cativeiro.
Aconteceu que eu permiti que todo lixo viesse pro meu lado, que eu sumisse de mim.
Um sequestro.
Fiquei num cativeiro longe de tudo que eu era.
Ja fui tanta coisa.
Ja perdi tanto tempo.
Lamentando ainda mais.
Chega né?
Dessa vez nem vou chorar o que aconteu.
Já estou em casa, segura, bem cuidada.
Minhas feridas fecharam.
Tem alguém cuidando de mim.
Me fazendo lembrar do que é de fato uma vida saudável.
Assim eu esqueço do mal que me fizeram e do mal que eu me fiz.
Sem culpados.Sem vítimas. Apenas fatos.
E um fim.
E ele chegou.
PS:Mas meu blog volta agora pra atividade! =) bem-vindos.
domingo, 19 de outubro de 2008
Ich liebe mich
Recolha seu lixo e despeje em outro lado.
Não deixe sua podridão em mim quando passar pelo meu caminho.
Ja estou entalada de lixo que não consegui digerir.
O fedor do meu interior exala e contamina todos ao meu redor.
Respeite-me.
Se tu não sabes respeitar os outros, recolha-te.
Mas respeite o solo que pisa...como disse o poeta,
''Se tivsse panos bordados dos céus, eu espalharia sobre teus pés;
Mas sendo eu pobre tenho somente os meus sonhos;
Eu espalhei os meus sonhos debaixo dos teus pés;
Pise com cuidade porque estás pisando nos meus sonhos''
Então, tire seus sapatos e respeite meu território puro, não quero suas mazelas.
Se precisares de ajuda estendo minha mão, mas não me suje, não suje meu mundo.
Não roube meu amor por mim mesma, não compartilhe comigo suas desgraças.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Boicote
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Na Minha Pele
De tudo que escolhi para ser eterno intocável e inabalável, sobrou só a mim.
Eu, eterna intocável e inabalável.Mesmo que eu seja mortal, violada e desabe demasiadas vezes.
Eu, que mudo constantemente como qualquer coisa cuja existência faça parte desse mundo, defendo até o coeficiente das minhas alterações.Do que fui, do que sou do que serei, defendo cada instante, casa segundo de ser.Respeito meu passado, minhas escolhas erradas e certas, defendo pelo simples fato de serem escolhas escolhidas, e não algo que deixei no meio do caminho sem identidade nem nome e letras grafando estas páginas obscuras e sublimes.
Eu, estas páginas manchadas sou eu, seja feio ou bonito, não importa.
E por mim, pelo que escolhi de eterno enquanto viva estou, defenderei minha identidade mutante, estranha e indesejável onde ela for.
Não haverei eu de renunciar ao meu nome, e sim você renunciar sua imposição a alguém que não se curva. Se me curvo, será para igual ao bambu com o vento, que flexível deita na tempestade e logo em seguida corta a correnteza sonoramente como uma rajada e onipotência.
Eu, sim sou meu deus.
Só eu que choro por mim, meus sorrisos para mim são meus, e mais de ninguém, minhas dores nunca serão suas dores nem minhas vitórias serão suas vitórias.
Se queres fazer parte de mim e que eu te adere ao meu corpo assim como aderi minhas tatuagens e estes desenhos na pele, se queres fazer parte da minha pele ou do meu corpo para que eu te leve junto com minha eternidade, esteja comigo então assim, perto como a tinta dentro da carne, e fora como a tinta aos olhos alheios, esteja comigo perto e presente e vivo como cores ardentes.Me orgulharei de você e carregarei assim como carrego estes desenhos que amo, amarei você mesmo que no futuro você perca o significado, amarei aquele momento que te gravei em mim, passado marcado para não ser esquecido.
Pois eu disse e repito : cada parte e cada minuto de vida carrego comigo.
Não nego, não arrependo, nunca, isso afirmo : cada segundo de vida levo para meu curto infinito.
Esse espaço entre a vida e a morte cujo meu corpo de carne pertence.Após isso é podridão, quem sabe um Deus mais eterno que eu esteja de fato lá...onde agora parece não estar.
Eu estou para mim.
Do mundo só resta eu, defeituosa assim, perfeita.
Eu só posso me achar perfeita nessas deformidades que fazem o desenho que sou, para isso existo.
E digo, não nego, não me pinto de preto, sou cores.Muitas.
E digo, não nego, vôo sem medo, sou asas.Muitas.
Pássaro Colorido.
Por tintas na pele, a única coisa estável na minha instabilidade ontológica( de ser em Ser ).Tintas e formatos, linhas e cores.Flores.E a Liberdade que busco.
Digo, Eu: árvore, negra , de tronco nodoso e agressivo me estendo até a luz do dia e de flores a delicadeza se expressa quando uma vez ao ano, a cerejeira respira.Árvore, cujas raízes se estendem também pelas trevas inerentes ao corpo humano.Trevas: o saber, a árvore da sabedoria, do fruto proibido eu sou.Eu sou. Eu sou.
Essa sabedoria
Essa proibição
Essa beleza
Essa agressão
A rosa das rosas, vermelha rosa solitária num asteróide sem mais vidas habitadas, o pequeno príncipe já se foi.Resta Eu, rosa, com espinhos e três folhas.Pétalas vermelhas-sangue de Cristo.
[aquele derramado por amor]
A rosa humana, tão breve se estabelece entre aquele tempo do nascer ao morrer.Brevidade, precariedade de tempo e sublime delicadeza,
Se contrasta com a singularidade beleza
Que está prestes a secar, definhar...e perecer.
Com apenas meus espinhos para me defender.
Meus.
E de tudo o que mais há para ser conquistado é a Liberdade triunfando sobre a submissão: Subversão.
De mim, de você, da ordem, da desordem.
Liberdade de pensar, de viver, de morrer.
De colocar em mim o meu querer.
Na alma, no coração.
E principalmente no óbvio : Na minha pele.
E tudo isso, Eu, é nada mais do que o mais importante : meu Ser.
Liege S Adjüct
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Je ne rigret rien
Je ne rigret rien = não lamento nada
Shikata Ga Nai = é um lema japonês que fala mais ou menos sobre a força das coisas que acontecem, inevitaveis.
Eu não, sou cheia de arrependimentos.
Coloco a mão na cara efalo ''putamerda'' que foi que eu fiz.Ainda bem que nem tudo é irreversível...
Há malditos dois anos estou cagando na minha vida.As situações boas vêm e eu acabo com tudo.
Como vou acreditar nas minhas decisões ou na minha capacidade de decidir, escolher e viver se eu fiz tanta merda?
Fica a questão.
E uma musica.
A original é em alemão.
Golpe na felicidade
Lá fora começa a clarear
Ela ainda está lá
Onde nada a perturba
Seu aniversário
Na noite passada
Ela já não pode mais ouvir
Você não quer se ver voando?
Na luz da escuridão
Exponha seu dom
E todas as coisas ficarão mais fáceis
Perante de seus olhos
Seu primeiro golpe na felicidade
As feridas restarão pra sempre
Um momento precioso
Assim como cada momento ruim
Sombras e luz
Pare de observar
Ela não volta mais
Lá fora começa a clarear
Porém, a noite não tem fim
Qualquer mão cobre seu rosto
Todo tempo ela sofre
Ela está completamente sozinha
Até que na ultima noite
Seus olhos não choraram mais
E novamente golpeia a felicidade
As feridas restarão pra sempre
Um momento precioso
Assim como cada momento ruim
Sombras e luz
Pare de observar
Ela não volta mais
Depois de cada hora
Ela precisa impelir novamente
Novamente
Depois de cada hora
Ela precisa impelir novamente
Novamente
Todo mundo está observando
Ela não da à mínima
Ela precisa
E mais uma vez golpeia a felicidade
As feridas restarão pra sempre
Um momento precioso
Assim como cada momento ruim
Sombras e luz
Pare de observar
Ela não volta mais
O céu se fechou
E seu ultimo sonho
Permanece sem ser sonhado
.
.
.
Tenho que agradecer...
Agradecer muito.
liege
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Übermensch

Borderline ou Bipolar?
Fodas, odeio ser alguma dessas coisas e ter esses sintomas que enchem o saco.
Fico na duvida se quero ser o espelho da decadência social ou se quero ser um lapso de esperança.
É complicado quando você esta dos dois lados da história, analista e analisado.
[Odeio terapia]
Mas como diz Matanza :
''Há quem saiba o que ninguém mais sabe
E quem veja o que ninguém mais vê''
[adoro Matanza]
Eu dei a sorte [ironia] de ser uma dessas pessoas que vê e sabe demais, assim, que passou dos limites do saudável.Dai vc junta com doenças mentais, personalidade maluca...fica difícil viver né?
E nesse mundo em decadência, você é aquele que se preocupa com a decadência e o decadente em sí.
Hoje eu estava conversando com minha tia que está na Alemanha [inveja] e acabou de chegar do congresso mundial de psicologia [inveja²] em Berlim, e ela estava me falando de uma festa que deram para os jovens futuros psicologos ou sei la o que, e ela ficou horrorizada quando passou pra dar uma olhada, falou que nunca viu tanto piercing , tatuagem [nessa hora eu engoli seco né?]
e que era tudo escuro com luzes vermelhas, e pessoas jogadas pra todos os lados...o que é super comum de se ver, apesar de que no Velho Mundo isso fica mais exagerado.Mas ela falou do sentimento que ela e os outros acompanhantes tiveram em relação a juventude: sensação de decadência.Eu apesar de ter piercings, tatuagens, adorar lugares escuros e ficar jogada poraí, encher a cara e fumar...concordo.No fundo isso não é busca pelo prazer, é vontade de decadência.
Ou uma busca pela culatra.Mas ela é em massa...muita gente tá assim.
O jovem não está fazendo nada mais que o seu papel : espelhando a sociedade e os efeitos.
- Mas precisa se auto-destruir tanto?
Tem coisa que é irreversível.
Tanta coisa me vem na cabeça.
Minha depressão atual, o fato que há dias eu não saio de casa direito...as vezes fico dias sem tomar banho ou comer.
Minhas memórias e emoções me queimando por dentro.
['' Come and rescue me
I'm burning, can't you see'']
A falta de muita coisa...e só resta a vontade de aprender alemão e andar de sakte.E eu tenho vergonha de andar de skate na rua tão mal...apesar de que eu nem ando mal assim.
De receber xingos e diagnósticos do meu médico, e de ouvir que eu sou doente [é ruim ouvir que você está doente] e que eu quero ficar gritando pra todo mundo que estou doente para que tenham dó de mim.
Cansada de ouvir que os traços vermelhos da minha tatuagem ficaram feios.Eu amo minhas tatuagens!!!!
E olhar para minhas duas paredes, uma de frente para outra,
uma escrito [ eis que de madrugada eu acordo do nada e pego uma caneta e começoa escrever nas paredes, isso é assustador não? rs ]
Numa parede : Rette Mich e Der Himmel zieht sich zu ihr letzter traum bleibt ungenträumt
Significa : Me resgate e O céu se fechou e seu ultimo sonho ficou sem ser sonhado.
Na outra parede eis que escrevi ÜBERMENSCH!
Sobre-humano, me referindo a Nietzsche, claro.
Que contraste!!!
E quis então tatuar isso, Übermensch.
Mas não sei onde.Só que agora fico pensando se vou parecer uma coisa decadente cheia de tatuagem. Mas essa palavra é forte! Igual o Libertas!Sim, vou tatuar, só não sei onde.Mas bem pequeno e discreto.Ou não.Até segunda posso mudar de opinião.
Continuando sobre as coisas que me vem a mente...
Um pouco eleva minha auto estima estar aprendendo alemão tão rápido...mas isso não é nada em relação do quanto ela cai, despenca por vários motivos.
Os bolos das várias pessoas que ando tomando, daí pendo FUCK ALL.Nascemos sozinhos, morremos sozinhos.
O melhor é fazer como todos, buscar um espaço ao sol e que se fodam os fracos.Não quero mais ser fraca, porque simplesmente eu não sou, quem sabe sabe, e estas pessoas se frustram ao me ver agindo como um verme.Eu entendo porque algumas pessoas querem me esganar.Elas dizem, ''você é a Liege porra! A LIEGE!!!!''...dai eu me olho, porca, feia, medigando mesquinharia.Fuck fuck fuck!Essas pessoas (pai,mãe,psiquiatra,fred,auad,mariana,etc) às vezes são tão violentas que vão lá nas sombras onde eu me escondo junto com a podridão e me puxam pelos cabelos para o sol.E eu resisto sem saber.Acho que isso é digno...arrastar a pessoa.Ajudas ''bonitinhas'' nunca adiantam.Eu não quero ajuda, eles me chutam na barriga e falam...lute pelo seu lugar ao sol!
Eu vomito sangue e acho bonitinho, mas algo em mim surge, é a ira, a vergonha, o DESEJO DE PODER, ÜBERMENSCH.E ele é violento as vezes...vai sair bicudando quem estiver na minha frente, arrastando gente da escuridão para luz também...comigo virão alguns não-vermes.
Mas eu vou, primeiro.Deixar de ser verme...deixar de esperar.
Essa parte é boa.
Criar meus objetivos e segui-los sem olhar para nada.Igual minha tia faz...
E a solidão me assusta tanto, assusta ela também...mas somos sós.
Meu medo de solidão me faz ser um verme ridículo.Tanta coisa faz ser um verme que não sou.
Eu estou podre, meu coração está podre.
Eu não sei o que é amor.
[ We die when love is dead
It's killing me
We lost the dream we never had
The world in silence
Should forever feel alone
Cuz we are gone
And we will never overcome]
Sei apenas o que é raiva, ódio, agressividade...e prazer em agrdir.Por que?
''Pare de sentir prazer em ser o pássaro pintado, apenas aceite...mas não sinta prazer nisso.Não se pinte mais.''
Ser Pássaro Pintado é ser BIZARRO.
E minha vontade de causar impacto, repugnância e medo nos outros.Talvez seja vontade de sacudi-los e dizer ACORDA!!!!!!!!!!!! Olha o que vocês estão fazendo com o mundo!!! Olha o que você está fazendo comigo!!Fazer alguem pensar...alguém vomitar a podridão que tem dentro de sí e ser um humano de verdade.Mas pessoas que se dispões a ser assim, a fazer isso se destroem demais...eu me destruí pra mostrar essas merdas, pedir atenção...e quebrei, e fiquei feia...deixei de ser uma fonte de luz.Eu por natureza sou fonte de claridade, sempre fui...até na escuridão eu sou.[Eu sou]
Meu brilho é forte até demais.
[você seria capaz de ser o sol]
É isso que eu sou...um Pássaro Pintado, doente, brilhante. [hahaha]
Como eu gosto de dialética vou pensar numa maneira de me salvar, acordar o mundo, salvar os outros, e realizar meus objetivos.Sem me destruir, sem te destruir.
Coisa para um Übermensch mesmo. =)
Para alguém podre, lutando pra sair de uma depressão, lutando contra sintomas de doenças mentais, contra rejeições e lembranças tristes...é um objetivo e tanto não? NÃO! Isso não é nada!!!Não vale nada, é apenas o que tem que ser feito, por dignidade, ou por vergonha.
Seria ultrajante continuar me vangloriando da minha desgracinha.
Hoje, sexta feira.Enquanto esta todo mundo saindo. Estou aqui...dizendo...
[Se eu falar sobre o que não entendem
Poucos escutam,muitos se ofendem - Matanza ]
Estou aqui quase sem nada.
Sem muitos amigos, sem companhias.
Mas com o suficiente.Com o que eu quero e com o que eu preciso.
[Os mosquitos almejantes de luz logo virão, sem você querer, chamar ou precisar]
Desculpa minha atual agressividade, não desenvolvi amor ainda...to no processo de gratidão.
Nesse momento, na verdade em muitos momentos, sinto a vontade de gritar muito, quebrar coisas, destruir...dizer que tudo fede, que todos são vermes, e falar o tanto que tudo me machuca.
Nessa decadência eu chego ao fim.
No fim eu me encontro...o Übermensch está aí, no fim, na finalidade do ser humano : se superar.
Está tudo bem interligado dialeticamente. [sorriso]
Então te encontro nesse ''über ende der welt''! ;)
Komm!
Liege S. Adjüct
Borderline ou Bipolar?
- Übermensch!
