terça-feira, 13 de novembro de 2007

Eu não.

Eu sempre disse ''O homem dividido não chega a lugar algum.''
E cada dia que passa vou colhendo provas para fundamentar essa idéia.

A idéia de que você inexoravelmente tem que fazer escolhas, e achar que se abster de escolher vai te tirar do problema é uma ilusão.A não escolha será sempre a pior escolha.Será portanto uma das escolhas.

O homem que chega ao final, que chega onde quer é aquele que permaneceu íntegro e não se dividiu.Aquele que pensou e fez uma escolha, escolheu um caminho e seguiu até o final...independente de qualquer coisa, ele manteve a palavra e a postura.

Integridade.

Voltando na mitologia e nos antigos textos da Grécia, Aquiles e sua dúvida: vou para guerra de tróia e morro eterno, ou fico , vivo mais alguns anos e morro esquecido.
Todo mundo sabe o que ele escolheu.
Por isso ele se tornou um herói.
Os heróis gregos são aqueles que traçam seu caminho, fazem escolhas, se tornam determinados, não se abalam, e chegam ao final...mesmo que seja a morte o fim da história.
Por um segundo de eternidade? Sim.
Ele precisa ser o exemplo de integridade.
Heróis servem de exemplos.Que óbvio não?E quem aqui segue o exemplo e tenta ser íntegro?
Quem aqui tem a CORAGEM de escolher ir para guerra, viver o caos para um segundo de glória ( em vida, que acontece justamente no instante da morte , que por sua vez...o torna eterno).Todo mundo é covarde, prefere a vida mansa...calma, acomodada...do que romper com a porra do ciclo!E criar algo novo, recriar-se!Ninguém tem coragem de se recriar todos os dias!

Façam seu maldito suicídio mental! Mate suas idéias...e reconstrua!
Morra, mas renasça ÍNTEGRO.


Mas...nossas idéias sempre mudam...e se as idéias estiverem erradas?Se o caminho que eu escolher estiver errado.
Minha dica é '' esteja sempre preparado para pular do barco que começa a afundar''.
Esteja sempre pronto para nadar!Para ficar sem chão.Afundar.
Você não pode evitar a queda, mas pode aprender a se afogar com o mínimo de dignidade.
E dai...pegar o outro barco.
Porque nada é absoluto!Quando nada é absoluto, quando mundo é incerto e inconstante...forje uma integridade...

...uma integridade dialética!

DIALÉTICA??????

Dialética nada mais é do que você criar sua visão de mundo a partir dos contrastes.
Esqueça o maniqueísmo ''certo e errado''.Nada é certo ou errado, bonito ou feio...
Nenhum caminho é de fato o melhor...
Aí que entra a dialética...é a união das discrepâncias...quando você colide os opostos, as partes, tudo!E tira disso uma idéia original.Uma idéia sua....e a segue de maneira integral.
Sem se perder nos caminhos que surgem poraí...

Lembre-se que para toda escolha existe um preço a pagar.
Nada é de graça...tudo custa muito caro, inclusive escolher aquilo que a gente quer de fato...lá no fundo o que grita é o mais difícil de ser escolhido pois é o que custa mais caro!É geralmente o muro mais difícil de se quebrar...se é o que mais grita é porque é algo muito reprimido...por muros e jaulas enormes.Por isso a voz é mais abafada...menos óbvia.Requer momentos de reflexão...você e você.Requer também coragem e atitudes.

Mas lá nessa voz quase oculta é o lugar que reside a SUA verdade, a sua verdadeira vontade.

Ela raramente é escancarada e explícita...porque o ser humano no fundo almeja a liberdade...é algo em comum aos seres humanos, amar a liberdade!E temer a liberdade!

De tanto temermos a liberdade, acabamos ocultando-a de nós mesmos...mentimos muito para nós mesmos, nos enganamos todos os dias para não sermos livres.

Ser livre é difícil, é caro, é incerto.

Porém...viver sem essa liberdade é sufocante...estagnador!

Uma horrorosa certeza fácil,mas enfadonha e desgraçada.

Prefiro a bela incerteza difícil então.

E você?

Pense bem...
Você vai se foder de qualquer jeito!
É como o mito de Aquiles...a morte vem inexoravelmente...a pergunta é : Como você quer viver seus dias? De forma medíocre, confortável...ou na glória da guerra, onde nada se pode prever e onde as sensações estarão a flor da pele?
No final você vai morrer mesmo.Então faça-me o favor de fazer uma escolha...e segui-la até o fim!
Arcar com as malditas conseqüências...
e quando morrer, por favor , morra com dignidade.


Pois o homem que se divide se perde nos caminhos.



Eu não.


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Quebrando o Muro

O negócio é o seguinte: você nasce com um buraco dentro do peito.Um maldito vazio dentro de sí...todos nascem com isso.Não se preocupe, você não é o único.
Além do buraco existe seus pais e a sociedade.
Nossos pais sempre cometem alguns erros na nossa criação...e isso deixa marcas...por mais que a intensão deles seja a melhor, aliás, nossos pais não são perfeitos. Dae vc junta isso com o peso de uma sociedade maluca...mistura na panela , e o resultado são os tão comuns Traumas!

Você inexoravelmente terá traumas, e eles se juntam com aquele buraco filho da puta que você e todo mundo tem.Então você começa a viver...começa a querer preencher esse vazio e fugir desses traumas e das situações que te fazem lembrar deles.

Você, vocês , nós fugimos de formas muito previsíveis, procuramos cimento para preencher esse buraco em:
Pessoas ( sentimentalismo que no final das contas resume-se em sexo)
Coisas ( comprar , ter , dinheiro , objetos )
Comida
ou idéias ( política e religião)

E você fica igual um idiota correndo de um pra outro , pulando daqui pra lá em busca de uma ilusão.
Você começa a se fechar em um muro, em um ciclo viciante e torturante.
Você trabalha pra ter dinheiro para comprar coisas que vão impressionar pessoas.
Você come para sentir prazer caso essa idéia acima seja frustrada.
Você se abriga em uma religião metafísica para esquecer essa realidade.
Etc etc etc.
Tudo isso se mistura das mais variadas formas : comer, comprar, sexo, fuigir.

Você nunca se contenta, quanto mais você ganha mais se endivida.
Quanto mais se endivida você mais reclama, insatisfação...e o maldito buraco AINDA está alí!!!

Um dia você resolve olhar pra si ( o que é raríssimo )
então você se dá conta que é um poço sem fundo de desejos, medos e frustrações...tudo sendo sugado pelo maldito vazio!!!
Daí algumas pessoas procuram o psicólogo.
Outros as drogas, bebidas, sexo, compras, gula, novelas, livros, internet..etc etc.
Outras surtam, e algumas suicidam.

E raramente alguma pessoa quer realmente entender esse vazio...porque entendê-lo requer que você pule dentro dele...é tão medonho pular nesse buraco desconhecido.
É como pegar uma marreta e destruir o maldito muro! Dói, porra!

E esse buraco? Como acabamos com ele?
Eu ainda não sei!!!
Mas estou perto...bem perto...
Posso dizer antecipadamente que esse vazio é inerente a condição humana, que é necessário...
mas tem que ser compreendido , não ignorado como a gente faz...por medo...porque ele é estranho, diferente, incontrolável...inconstante...e a gente morre de medo do inconstante!Dai é melhor ignorar...não é tão culpa sua assim! Seus pais te ensinam a ignorar desde que você nasceu...e seus avós ensinaram seus pais...e assim vai. A sociedade pesa encima de você para que faça coisas demais e não tenha tempo de olhar pra esse vazio...mas o vazio grita, ele se revolta, ele começa usar dos seus traumas pra ser ouvido! Ele esta lá...querendo ou não.

Aceite o vazio...imagine que é ele que te leva pro infinito.
Aceite...aceite tudo...os medos e os desejos.
Deixe fluir! Eles querem ser ouvidos , para de abafar tanta coisa com vícios , isso te deixa doente!
E eu quero te ver sorrir....que suas feridas se tornem flores de sabedoria...de vivência!
De CORAGEM!

Seus pais e os pais deles acumularam traumas...mas não os culpe!
Sabe , a cada geração de traumas não resolvido...isso pesa na geração seguinte...esse peso vai aumentando...os traumas se tornam mais complicados, densos e profundos.

Assuma seus traumas e enfrente-os.

Cure-se!

Não queira passar isso pra frente!
Não deposite nos seus filhos suas frustrações e anseios!

Não seja escravo do dinheiro, do sexo, dos objetos , idéias....e acima de tudo NÃO SEJA ESCRAVO DE SÍ MESMO!

[Não seja escrava de si mesma...]

Vai dar tudo certo....





...se você subverter sua própria condição.





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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Aleatoriamente

A droga dos meus cabelos vermelhos longos não fazem sentido...ou as unhas azuis, a blusa verde...meus pés pequenos em um maldito all star.Como de sempre, como desde criança...maldita criança que não lembra que os anos passam.

Um sorriso idiota, brincadeiras.Eu sou assim, alegre.Quem me conhece sabe.

Ou aquele meu olhar cansado...aquele olhar das pessoas velhas.

Velhas demais.

E as armaduras...?

Os jogos de xadrez.

Parece que vou acabar decidindo jogar xadrez pelo resto da vida...ser o jogador, abandonar o lindo mundo das peças...

Assim distante, com o controle nas mãos.[mas distante]

Apenas porque sei sobre as coisas que estão por acontecer.

Então serei isso...

O Príncipe.

Guerras?

A parte boa da história é que o lugar que vou ficar é silencioso, venta bastante pois é um lugar bem alto e isolado.Só para quem tem asas...ícaros?

Ficarei aqui...

Perto das águias.

Não ligue se eu jogar algumas pedras lá de cima.

E deus que manda seus raios?Porque não poderia eu jogar pedras ou maçãs...caso eu veja algum Einstein....embaixo de uma árvore.

Talvez mandar sopro de inspiração para poetas.

Ou sonho para os céticos.

Coragem para os acomodados...?

Ta tudo transbordando aqui!

Parece mais que vou afundar feito a atlântida!

Imagina?

Serei uma lenda...qualquer coisa perdida.

Que romântico isso hahahahahah.

Enfim.

Porque parece que só as coisas perdidas despertam interesse.

Não, não quero seu interesse...mas gostaria de ser descoberta para emergir um pouco.

Seja por você, por mim...ou pelo que virei a ser em breve.

Tudo isso porque eu quis ser deus depois de desistir de ser humana.

Façam promessas pra mim.

Se você jogar moedas do rio arrudas eu posso pensar em realizar seus desejos.

Então...que horas você vai decidir quebrar o MALDITO muro?

Porra, esperar é muito chato.

Você não vai querer exigir de mim TODAS as virtudes né?

Me poupe disso...meu currículo já ta tão bonito!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Estranho à Terra

No Kung Fu eu aprendi várias coisas além de chutar cabeças de um modo eficiente.
Aprendi a não ficar no chão.
Está lá eu no ring treinando com alguém muito maior e mais forte do que eu ( eu era a única menina da equipe de luta ).
Cada round de 8 minutos , um treino pesado demais. Quatro rounds direto...sem parar.
No inicio você bate, bate, bate. A montanha nem se move. Então você apanha, apanha e apanha.
Tontura...lá pra metade do segundo round você já começa a não sentir as pernas.
Eu sou pequena demais para as luvas masculinas...eram pesadas demais então no inicio do terceiro eu n agüentava levantar a guarda, não conseguia levantar os braços e apanhava na cabeça.
Aí começavam as quedas...eu só queria cair e ficar lá no chão descansando.Mas ele não deixava...alí não tinha vencedor ou perdedor...eu tinha que de qualquer maneira agüentar o treino até o final.
Essa era a proposta.

Mas eu caia toda hora...sem força pra chutar, pra socar...parecia que apanhar era a melhor opção do que tentar mover os braços ou as pernas...elas não me sustentavam e eu caia...na quarta queda eu cismava em não levantar...ainda no inicio do terceiro round.
Ele me chutava, me xingava, me sentia humilhada...mas isso faz parte dos treinos.
Parecia as vezes que era melhor a humilhação do que levantar do maldito tatami fedorento.
Eu as vezes não entendia por que eu deveria levantar.Pra tomar mais um jeb-direto na cara...quase engolir o mordedores ( pra proteger os dentes ).
Hoje eu entendo mais não sei explicar.
Ficou automático, cair levantar, cair levantar, assim, mecânico.

Ela pequena...com o corpo feito apenas de músculos e ossos.
Muitos ossos, ela adora sentir seus ossos...e imaginar que apenas uma pele pálida a diferencia do que ela costuma se sentir : um punhado de ossos secos armados numa estrutura humana.

Ela aprendeu que é feio mostrar isso para os outros.
As pessoas parecem ter medo desse lado dela. E ao mesmo tempo fascinação por um outro lado...
O lado do vigor, ela exala um vigor...coragem, força...paradoxalmente com aquela imagem esquelética de fraqueza.

Ela parece um pássaro rápido demais.
Brilha forte demais as vezes...e se apaga subitamente.

Se anula...ela tem medo de desaparecer.
De começar a voar e não ter mais a maçaneta do carro para segurar...e vagar pelo céu.
Cair pra cima.

Ela não entende de onde veio essa leveza insustentável.
Esse paradoxo.
Ela sente-se um nada porque faz parte de tudo.
Mesmo assim...algo diz que ela precisa se segurar!
Ainda não é tempo de voar assim eternamente...

As pessoas sentem um misto de repúdio e fascinação.
Ela ta cansada de saber disso.
Todos se enxergam nela.
E ela não se vê em ninguém.

Egoísmo?

Sei lá...acho que meus defeitos são drasticamente sutis.Isso que é o pior...eles se escondem de mim.

- Então ela acaba achando que possui todos os defeitos do mundo.

E que sua qualidade é uma virtude fora da lista.

Ela não quer despertar dó de ninguém.
Nem piedade, nem compaixão.
Ela não precisa disso.

Talvez precise de pessoas querendo aprender a voar...e colocar mais gente no céu.
Mas ninguém acredita que ''para voar basta errar chão''...
É tão simples.
Ou é preguiça de descer das estrelas...então fica tentando montar uma escada idiota para alguém subir.

Então ela pula lá de cima...

e cai.

Dessa vez não há quem a levante.
Ela só quer fazer parte da terra.



Obrigada.



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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ponto Neutro

Assim, sem nome, sem identidade ...nem pátria, sem prisões ou algemas...nem sonhos nem pesadelos, sem caminho marcado....sem estrada, mar ou rota aérea...
Sem desejos, sem ação.
Nem pânico.
Nem ambição.




Sem você.
Sem eu.

[ me tire disso. ]

sábado, 3 de novembro de 2007

A Morte da Vespa

Foi quando aprendi a assassinar as coisas belas.
Uma vespa amarela entra por engano no meu quarto...sem propósitos, apenas entra.
Eu me assusto...sem motivos. Apenas me assusto.
Ela para na minha porta cansada e presa...eu pego alguma coisa dura o suficiente e tento abate-la.
Ela não morre fácil.
Eu começo a sentir pena, dó...começo a me perguntar por que eu precisava mata-la...ela não fazia nada de mal comigo.
Mas ela já agonizava...entre a vida e a morte.
Então me tornei fria e continuei a tentar mata-la...ela era resistente. e eu , impiedosa.
Terminado o serviço eu apenas a joguei pela janela, para que os cachorros do vizinho a comessem quem sabe.

Havia pó amarelo espalhado no meu quarto e nas minhas mãos.
Lembrei que alguem me falava que esse pó cegava.
Então passei nos meus olhos....desde então não vejo mais nada.

E a caixa se fechou hermeticamente.



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Uma bela metáfora para uma péssima histórinha.
A minha. Eu e eu mesma.



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terça-feira, 30 de outubro de 2007

A Festa de Vidro

Tudo que eu for escrever agora vai soar pessimista.
E óbvio.Eu queria ser direta...mas não escrevo para mim.
Escrevo para você.


Eu nasci com um excesso de coragem que parece ter esvaziado a do mundo!
E eu conquistei minha liberdade!
Mas estou sozinha no ar!

Para que serve tudo isso?

Eu estendo minha mão...pesso que você segure e não tenha medo.
A estrada sobre o abismo é invisivel mesmo!
É sempre assim.

Uma estrada para te fazer valer a pena, para você e para mim.
Você que nunca aceitou certos desafios...tem agora um dos melhores.
E nem esta sozinho!

Tenha medo! Pois é necessário ter medo para ter coragem...
A coragem não quer dizer a falta de medo, mas a capacidade
de supera-lo.

Feche os olhos sobre o infinito.
Segure minha mão...
que eu te mostro o caminho.

Aqui no paraíso está um tédio.
Preciso de um pouco do toque do inferno.



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domingo, 21 de outubro de 2007

As Pedras

Aos poucos o mundo foi me transformando em pedra.
E eu comecei a ver tudo assim, esfriando. Tinha medo de ficar paralisada...ou cair na água e afundar rapidamente.

Depois achei que as outras pessoas eram que se transformavam em pedras com o passar dos anos...então eu me achava num vale de pedras.

Mas agora descubro que as pedras falam... e me senti protegida num certo vale de pedras.
E parei para observa-las....sentir sua respiração...seu coração bater....e a voz delas.
Na verdade a unica voz que escuto é a do vento passando em suas deformidades.
Então comecei amar as pedras.



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domingo, 14 de outubro de 2007

El Labirinto




'' Eu me calava.
- Tu compreendes. é longe demais. Eu não posso carregar este corpo. é Muito pesado.
Eu me calava.
- Mas será como uma velha casca abandonada. Uma casca de árvore não é triste...
Eu me calava.''

Percebi que existem lugares distantes onde moram meus sonhos e desejos cujo meu corpo exausto e cansado nunca poderá alcançar...

Me disseram que possuo o grande estigma de ter sonhos demasiado grandes...como montanhas que se erguem além do horizonte...montanhas que passo a vida a escalar.

Caio, me esfolo...e quando chego ao cume dou-me conta que dali estende-se outra, ainda maior...disseram-me que meus desejos são perenes.

Nunca alcançarei...

Não deste jeito.

Não com este corpo precário.

Demasiadamente pesado para lugares tão leves como meus sonhos.

Demasiado sujo.

Casca.

Então passo a ver um pouco além dele.

Alguns chamam de fuga.

Mas eu já não tenho noção de realidade...

Tudo pra mim é uma mistura homogênea... uma serpente branca que morde a cauda de uma serpente negra que por sua vez faz o mesmo. Formando um ciclo.O meu querido AURIN.

Sei que para chegar a certos lugares terei que abandonar pesos.

Fazer escolhas difíceis.

Estranhas.

Mas já não consigo encontrar minhas respostas aqui.

As coisas aqui são tão precárias, como meu corpo, e não me suprem.

Então caminho num labirinto de pedras em busca do meu verdadeiro eu...leve o suficiente para que eu possa ir a qualquer lugar.Encontrá-lo requer um grande sacrifício...

Eu queria entender tudo que acontece...mas é ilegível demais...por isso penso em voar e ver de longe.

Mas voar me faz ficar longe demais...isolada.

É paradoxal.

Eu não consigo mais me integrar.

Fazer parte dessa peça grande...eu acabei ficando fora de contexto.

Cai aqui por acaso.

Agora procuro algo que me ajude a voltar.



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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Pesadelos




São pesadelos, aves e morcegos aterrorizados voando em sua mente....você quer colocar ordem...mas não sabe por onde começar.

São momentos de crise.Desespero mesmo.
E as pessoas odeiam gente desesperada.
É feio e vergonhoso.

Por que?

Porque cada um tem que sair da lama por sí só.
Como no meu texto '' O Fundo do Poço''.

Eis que surge mais um buraco.
Eu mesma.

Um labirinto como o mito de Ícaro.
Preciso criar asas...
Não vejo saídas possíveis.


Mas no final das contas é isso que me torna mais íntegra : a morte constante.



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