quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Pensamento
Ninguém entenderia.
A culpa não é de ninguém.
Eu nasci assim, só isso.
Eternamente Pássaro Pintado.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Fim
Me expressava relativamente bem, um pouco pessimista talvez.
O texto abaixo mostra um pouco do meu ultimo grito fora de um cativeiro.
Aconteceu que eu permiti que todo lixo viesse pro meu lado, que eu sumisse de mim.
Um sequestro.
Fiquei num cativeiro longe de tudo que eu era.
Ja fui tanta coisa.
Ja perdi tanto tempo.
Lamentando ainda mais.
Chega né?
Dessa vez nem vou chorar o que aconteu.
Já estou em casa, segura, bem cuidada.
Minhas feridas fecharam.
Tem alguém cuidando de mim.
Me fazendo lembrar do que é de fato uma vida saudável.
Assim eu esqueço do mal que me fizeram e do mal que eu me fiz.
Sem culpados.Sem vítimas. Apenas fatos.
E um fim.
E ele chegou.
PS:Mas meu blog volta agora pra atividade! =) bem-vindos.
domingo, 19 de outubro de 2008
Ich liebe mich
Recolha seu lixo e despeje em outro lado.
Não deixe sua podridão em mim quando passar pelo meu caminho.
Ja estou entalada de lixo que não consegui digerir.
O fedor do meu interior exala e contamina todos ao meu redor.
Respeite-me.
Se tu não sabes respeitar os outros, recolha-te.
Mas respeite o solo que pisa...como disse o poeta,
''Se tivsse panos bordados dos céus, eu espalharia sobre teus pés;
Mas sendo eu pobre tenho somente os meus sonhos;
Eu espalhei os meus sonhos debaixo dos teus pés;
Pise com cuidade porque estás pisando nos meus sonhos''
Então, tire seus sapatos e respeite meu território puro, não quero suas mazelas.
Se precisares de ajuda estendo minha mão, mas não me suje, não suje meu mundo.
Não roube meu amor por mim mesma, não compartilhe comigo suas desgraças.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Boicote
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Na Minha Pele
De tudo que escolhi para ser eterno intocável e inabalável, sobrou só a mim.
Eu, eterna intocável e inabalável.Mesmo que eu seja mortal, violada e desabe demasiadas vezes.
Eu, que mudo constantemente como qualquer coisa cuja existência faça parte desse mundo, defendo até o coeficiente das minhas alterações.Do que fui, do que sou do que serei, defendo cada instante, casa segundo de ser.Respeito meu passado, minhas escolhas erradas e certas, defendo pelo simples fato de serem escolhas escolhidas, e não algo que deixei no meio do caminho sem identidade nem nome e letras grafando estas páginas obscuras e sublimes.
Eu, estas páginas manchadas sou eu, seja feio ou bonito, não importa.
E por mim, pelo que escolhi de eterno enquanto viva estou, defenderei minha identidade mutante, estranha e indesejável onde ela for.
Não haverei eu de renunciar ao meu nome, e sim você renunciar sua imposição a alguém que não se curva. Se me curvo, será para igual ao bambu com o vento, que flexível deita na tempestade e logo em seguida corta a correnteza sonoramente como uma rajada e onipotência.
Eu, sim sou meu deus.
Só eu que choro por mim, meus sorrisos para mim são meus, e mais de ninguém, minhas dores nunca serão suas dores nem minhas vitórias serão suas vitórias.
Se queres fazer parte de mim e que eu te adere ao meu corpo assim como aderi minhas tatuagens e estes desenhos na pele, se queres fazer parte da minha pele ou do meu corpo para que eu te leve junto com minha eternidade, esteja comigo então assim, perto como a tinta dentro da carne, e fora como a tinta aos olhos alheios, esteja comigo perto e presente e vivo como cores ardentes.Me orgulharei de você e carregarei assim como carrego estes desenhos que amo, amarei você mesmo que no futuro você perca o significado, amarei aquele momento que te gravei em mim, passado marcado para não ser esquecido.
Pois eu disse e repito : cada parte e cada minuto de vida carrego comigo.
Não nego, não arrependo, nunca, isso afirmo : cada segundo de vida levo para meu curto infinito.
Esse espaço entre a vida e a morte cujo meu corpo de carne pertence.Após isso é podridão, quem sabe um Deus mais eterno que eu esteja de fato lá...onde agora parece não estar.
Eu estou para mim.
Do mundo só resta eu, defeituosa assim, perfeita.
Eu só posso me achar perfeita nessas deformidades que fazem o desenho que sou, para isso existo.
E digo, não nego, não me pinto de preto, sou cores.Muitas.
E digo, não nego, vôo sem medo, sou asas.Muitas.
Pássaro Colorido.
Por tintas na pele, a única coisa estável na minha instabilidade ontológica( de ser em Ser ).Tintas e formatos, linhas e cores.Flores.E a Liberdade que busco.
Digo, Eu: árvore, negra , de tronco nodoso e agressivo me estendo até a luz do dia e de flores a delicadeza se expressa quando uma vez ao ano, a cerejeira respira.Árvore, cujas raízes se estendem também pelas trevas inerentes ao corpo humano.Trevas: o saber, a árvore da sabedoria, do fruto proibido eu sou.Eu sou. Eu sou.
Essa sabedoria
Essa proibição
Essa beleza
Essa agressão
A rosa das rosas, vermelha rosa solitária num asteróide sem mais vidas habitadas, o pequeno príncipe já se foi.Resta Eu, rosa, com espinhos e três folhas.Pétalas vermelhas-sangue de Cristo.
[aquele derramado por amor]
A rosa humana, tão breve se estabelece entre aquele tempo do nascer ao morrer.Brevidade, precariedade de tempo e sublime delicadeza,
Se contrasta com a singularidade beleza
Que está prestes a secar, definhar...e perecer.
Com apenas meus espinhos para me defender.
Meus.
E de tudo o que mais há para ser conquistado é a Liberdade triunfando sobre a submissão: Subversão.
De mim, de você, da ordem, da desordem.
Liberdade de pensar, de viver, de morrer.
De colocar em mim o meu querer.
Na alma, no coração.
E principalmente no óbvio : Na minha pele.
E tudo isso, Eu, é nada mais do que o mais importante : meu Ser.
Liege S Adjüct
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Je ne rigret rien
Je ne rigret rien = não lamento nada
Shikata Ga Nai = é um lema japonês que fala mais ou menos sobre a força das coisas que acontecem, inevitaveis.
Eu não, sou cheia de arrependimentos.
Coloco a mão na cara efalo ''putamerda'' que foi que eu fiz.Ainda bem que nem tudo é irreversível...
Há malditos dois anos estou cagando na minha vida.As situações boas vêm e eu acabo com tudo.
Como vou acreditar nas minhas decisões ou na minha capacidade de decidir, escolher e viver se eu fiz tanta merda?
Fica a questão.
E uma musica.
A original é em alemão.
Golpe na felicidade
Lá fora começa a clarear
Ela ainda está lá
Onde nada a perturba
Seu aniversário
Na noite passada
Ela já não pode mais ouvir
Você não quer se ver voando?
Na luz da escuridão
Exponha seu dom
E todas as coisas ficarão mais fáceis
Perante de seus olhos
Seu primeiro golpe na felicidade
As feridas restarão pra sempre
Um momento precioso
Assim como cada momento ruim
Sombras e luz
Pare de observar
Ela não volta mais
Lá fora começa a clarear
Porém, a noite não tem fim
Qualquer mão cobre seu rosto
Todo tempo ela sofre
Ela está completamente sozinha
Até que na ultima noite
Seus olhos não choraram mais
E novamente golpeia a felicidade
As feridas restarão pra sempre
Um momento precioso
Assim como cada momento ruim
Sombras e luz
Pare de observar
Ela não volta mais
Depois de cada hora
Ela precisa impelir novamente
Novamente
Depois de cada hora
Ela precisa impelir novamente
Novamente
Todo mundo está observando
Ela não da à mínima
Ela precisa
E mais uma vez golpeia a felicidade
As feridas restarão pra sempre
Um momento precioso
Assim como cada momento ruim
Sombras e luz
Pare de observar
Ela não volta mais
O céu se fechou
E seu ultimo sonho
Permanece sem ser sonhado
.
.
.
Tenho que agradecer...
Agradecer muito.
liege
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Übermensch

Borderline ou Bipolar?
Fodas, odeio ser alguma dessas coisas e ter esses sintomas que enchem o saco.
Fico na duvida se quero ser o espelho da decadência social ou se quero ser um lapso de esperança.
É complicado quando você esta dos dois lados da história, analista e analisado.
[Odeio terapia]
Mas como diz Matanza :
''Há quem saiba o que ninguém mais sabe
E quem veja o que ninguém mais vê''
[adoro Matanza]
Eu dei a sorte [ironia] de ser uma dessas pessoas que vê e sabe demais, assim, que passou dos limites do saudável.Dai vc junta com doenças mentais, personalidade maluca...fica difícil viver né?
E nesse mundo em decadência, você é aquele que se preocupa com a decadência e o decadente em sí.
Hoje eu estava conversando com minha tia que está na Alemanha [inveja] e acabou de chegar do congresso mundial de psicologia [inveja²] em Berlim, e ela estava me falando de uma festa que deram para os jovens futuros psicologos ou sei la o que, e ela ficou horrorizada quando passou pra dar uma olhada, falou que nunca viu tanto piercing , tatuagem [nessa hora eu engoli seco né?]
e que era tudo escuro com luzes vermelhas, e pessoas jogadas pra todos os lados...o que é super comum de se ver, apesar de que no Velho Mundo isso fica mais exagerado.Mas ela falou do sentimento que ela e os outros acompanhantes tiveram em relação a juventude: sensação de decadência.Eu apesar de ter piercings, tatuagens, adorar lugares escuros e ficar jogada poraí, encher a cara e fumar...concordo.No fundo isso não é busca pelo prazer, é vontade de decadência.
Ou uma busca pela culatra.Mas ela é em massa...muita gente tá assim.
O jovem não está fazendo nada mais que o seu papel : espelhando a sociedade e os efeitos.
- Mas precisa se auto-destruir tanto?
Tem coisa que é irreversível.
Tanta coisa me vem na cabeça.
Minha depressão atual, o fato que há dias eu não saio de casa direito...as vezes fico dias sem tomar banho ou comer.
Minhas memórias e emoções me queimando por dentro.
['' Come and rescue me
I'm burning, can't you see'']
A falta de muita coisa...e só resta a vontade de aprender alemão e andar de sakte.E eu tenho vergonha de andar de skate na rua tão mal...apesar de que eu nem ando mal assim.
De receber xingos e diagnósticos do meu médico, e de ouvir que eu sou doente [é ruim ouvir que você está doente] e que eu quero ficar gritando pra todo mundo que estou doente para que tenham dó de mim.
Cansada de ouvir que os traços vermelhos da minha tatuagem ficaram feios.Eu amo minhas tatuagens!!!!
E olhar para minhas duas paredes, uma de frente para outra,
uma escrito [ eis que de madrugada eu acordo do nada e pego uma caneta e começoa escrever nas paredes, isso é assustador não? rs ]
Numa parede : Rette Mich e Der Himmel zieht sich zu ihr letzter traum bleibt ungenträumt
Significa : Me resgate e O céu se fechou e seu ultimo sonho ficou sem ser sonhado.
Na outra parede eis que escrevi ÜBERMENSCH!
Sobre-humano, me referindo a Nietzsche, claro.
Que contraste!!!
E quis então tatuar isso, Übermensch.
Mas não sei onde.Só que agora fico pensando se vou parecer uma coisa decadente cheia de tatuagem. Mas essa palavra é forte! Igual o Libertas!Sim, vou tatuar, só não sei onde.Mas bem pequeno e discreto.Ou não.Até segunda posso mudar de opinião.
Continuando sobre as coisas que me vem a mente...
Um pouco eleva minha auto estima estar aprendendo alemão tão rápido...mas isso não é nada em relação do quanto ela cai, despenca por vários motivos.
Os bolos das várias pessoas que ando tomando, daí pendo FUCK ALL.Nascemos sozinhos, morremos sozinhos.
O melhor é fazer como todos, buscar um espaço ao sol e que se fodam os fracos.Não quero mais ser fraca, porque simplesmente eu não sou, quem sabe sabe, e estas pessoas se frustram ao me ver agindo como um verme.Eu entendo porque algumas pessoas querem me esganar.Elas dizem, ''você é a Liege porra! A LIEGE!!!!''...dai eu me olho, porca, feia, medigando mesquinharia.Fuck fuck fuck!Essas pessoas (pai,mãe,psiquiatra,fred,auad,mariana,etc) às vezes são tão violentas que vão lá nas sombras onde eu me escondo junto com a podridão e me puxam pelos cabelos para o sol.E eu resisto sem saber.Acho que isso é digno...arrastar a pessoa.Ajudas ''bonitinhas'' nunca adiantam.Eu não quero ajuda, eles me chutam na barriga e falam...lute pelo seu lugar ao sol!
Eu vomito sangue e acho bonitinho, mas algo em mim surge, é a ira, a vergonha, o DESEJO DE PODER, ÜBERMENSCH.E ele é violento as vezes...vai sair bicudando quem estiver na minha frente, arrastando gente da escuridão para luz também...comigo virão alguns não-vermes.
Mas eu vou, primeiro.Deixar de ser verme...deixar de esperar.
Essa parte é boa.
Criar meus objetivos e segui-los sem olhar para nada.Igual minha tia faz...
E a solidão me assusta tanto, assusta ela também...mas somos sós.
Meu medo de solidão me faz ser um verme ridículo.Tanta coisa faz ser um verme que não sou.
Eu estou podre, meu coração está podre.
Eu não sei o que é amor.
[ We die when love is dead
It's killing me
We lost the dream we never had
The world in silence
Should forever feel alone
Cuz we are gone
And we will never overcome]
Sei apenas o que é raiva, ódio, agressividade...e prazer em agrdir.Por que?
''Pare de sentir prazer em ser o pássaro pintado, apenas aceite...mas não sinta prazer nisso.Não se pinte mais.''
Ser Pássaro Pintado é ser BIZARRO.
E minha vontade de causar impacto, repugnância e medo nos outros.Talvez seja vontade de sacudi-los e dizer ACORDA!!!!!!!!!!!! Olha o que vocês estão fazendo com o mundo!!! Olha o que você está fazendo comigo!!Fazer alguem pensar...alguém vomitar a podridão que tem dentro de sí e ser um humano de verdade.Mas pessoas que se dispões a ser assim, a fazer isso se destroem demais...eu me destruí pra mostrar essas merdas, pedir atenção...e quebrei, e fiquei feia...deixei de ser uma fonte de luz.Eu por natureza sou fonte de claridade, sempre fui...até na escuridão eu sou.[Eu sou]
Meu brilho é forte até demais.
[você seria capaz de ser o sol]
É isso que eu sou...um Pássaro Pintado, doente, brilhante. [hahaha]
Como eu gosto de dialética vou pensar numa maneira de me salvar, acordar o mundo, salvar os outros, e realizar meus objetivos.Sem me destruir, sem te destruir.
Coisa para um Übermensch mesmo. =)
Para alguém podre, lutando pra sair de uma depressão, lutando contra sintomas de doenças mentais, contra rejeições e lembranças tristes...é um objetivo e tanto não? NÃO! Isso não é nada!!!Não vale nada, é apenas o que tem que ser feito, por dignidade, ou por vergonha.
Seria ultrajante continuar me vangloriando da minha desgracinha.
Hoje, sexta feira.Enquanto esta todo mundo saindo. Estou aqui...dizendo...
[Se eu falar sobre o que não entendem
Poucos escutam,muitos se ofendem - Matanza ]
Estou aqui quase sem nada.
Sem muitos amigos, sem companhias.
Mas com o suficiente.Com o que eu quero e com o que eu preciso.
[Os mosquitos almejantes de luz logo virão, sem você querer, chamar ou precisar]
Desculpa minha atual agressividade, não desenvolvi amor ainda...to no processo de gratidão.
Nesse momento, na verdade em muitos momentos, sinto a vontade de gritar muito, quebrar coisas, destruir...dizer que tudo fede, que todos são vermes, e falar o tanto que tudo me machuca.
Nessa decadência eu chego ao fim.
No fim eu me encontro...o Übermensch está aí, no fim, na finalidade do ser humano : se superar.
Está tudo bem interligado dialeticamente. [sorriso]
Então te encontro nesse ''über ende der welt''! ;)
Komm!
Liege S. Adjüct
Borderline ou Bipolar?
- Übermensch!
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Naufrágio

Aquela coisa sabia nadar quando caiu no mar.
E afundou, novamente, como tantas vezes, igual uma pedra.
O mais incrível é que ela sabia nadar, já tinha aprendido.
Mas ela se deixou afundar, mesmo não querendo afundar...porque ela queria ser salva dessa vez.
Mas é tão estranha a situação, porque ela sabe que é quase impossivel ela ser salva, só que ela certificou-se que cada vez que ela nada para cima e se salva...um efeito colateral surge.Ela entra mais para dentro da sua própria carne, e esquece que existem mais pessoas no mundo , afinal...
no seus afogamentos ela nunca via ninguém para de fato, pular , pega-la e faze-la voltar a respirar...
Jogam boias.Mas ela tá lá no fundo...não tem como chegar às boias.
Então esse momento fica gravado na mente : solidão.
Então, geralmente antes de morrer, ela tira força de algum lugar que não sabemos da onde e nada com forças absolutas e volta pra superfície, respira e grita o toda força dos seus pulmões algum tipo de ira.Um grito que significa muitas coisas. Que diz, sobrevivi...sem vocês.
Como se estivesse nascendo.
É sempre assim, uma queda é tão medonha e confortável.
Ela cai do alto para o mar...é como se entrasse para um útero enorme.
Ela se esconde...fica confortável alí.
Mas morre cada dia que passa.
Então ela tem que renascer.
Como se nascesse de uma mãe morta que não pudesse fazer forças, ela faz a força para sair do buraco. E grita para mostrar que está viva.
E ela sempre diz, a cada vez que morro , a cada vez que tenho que nascer...me torno outra pessoa.
Conquisto coisas boas.
Mas a marca do isolamento, da solidão e do pânico, ninguém tira.
A marca da asfixia.
Ela nunca vai embora...
E elas ficam tão nítidas que ela convive com essas coisas mais do que com as pessoas...
Afinal, não tinha ninguém lá.
Quando ela se recupera, ela se ergue, limpa...e forte, e ilumiada de vigor e energia.
Todos fazem como aqueles mosquitos que grudam nas luzes.
Ao seu redor fica um mar de pessoas.
Mas cada naufrágio que ela sobrevive, menos pessoas ela passa a enxergar.
Então...às vezes muitas pessoas estão ao seu redor, mas ela esqueceu da fisionomia do ser humano...e continua vendo apenas um mar de solidão.
.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Nas linhas de sangue

Foi naquele momento, que seu corpo parecia ter virado vidro...não! Era sua alma que era de vidro...e ela ficou com o corpo aberto por alguns anos, vou contar como ela abriu o corpo em breve, continue lendo apenas...
Com o corpo aberto ela foi tomando as pedradas direto na alma, no vidro, no espelho.Não havia mais proteção, o vidro era forte, resistiu, balançou, caiu faíscas , pedaços, buracos...e sua estrutura foi ficando decadente...pedaços sustentavam pedaços, e um dia...uma pequena pedra que veio aleatoriamente destruiu o alicerce que ligava os pedaços moribundos...
[ tudo começou com uma coisa simples ]
Foi uma cena única.
Uma alma despedaçando.Desmoronando encima do corpo.
Foram pedaços de vidro para todos os lados, e a maioria cravando na pele desse corpo...
Tudo desmontou como aquelas estruturas de lego vagabundo.
Os ossos desmontaram enfiando pelos órgãos, empalando cada pedaço...
Eu nem falo da parte do sangue, que jorrou como uma cachoeira.
[ as coisas simples destroem, são pedrinhas que fazem a diferença ]
Ficou aquele monte de carne fresca, ossos quebrados e vidro, muito vidro...espelhos, cada parte refletindo algo daquela alma.
[ Esse facto não é tão incomum assim , muita gente se parte de alguma maneira ]
Os dias passaram.
A carne começou a ficar podre, os urubus sentem o cheiro, se aproximam.
Até que o ser quebrado, falido...começou a pensar, seu cérebro tinha apenas um caco de vidro e um pedaço de osso.Mas funcionava. Ela pensou...e começou a se esforçar...ela tinha que se montar, se costurar.Não havia linha...ela então se lembrou dos bons tempos, dos seus amigos, das pessoas que ela amava, das pessoas que valiam a pena, então...surgiram belas linhas coloridas...de seus ossos ela fez uma agulha...já tinha tudo que precisava.

[ Vocês são minhas linhas. ]
Mas tinha que separar os ossos.
Tirar os cacos de vidro da pele.
Montar os ossos
Costurar a pele.
[ ela sabia fazer isso tão bem , quantos corpos alheios ela já havia costurados, ossos , montado...
ela sabia muito bem de salvar coisas alheias. Agora ela estava num deserto...não havia ninguém , só urubus...muitos.Ela tinha que se salvar sozinha. ]
Foi assim que começou...tomou coragem, tava doendo tanto...
E a noite dos desertos são frias.
Ela começou a gritar muito.Todos os dias.
Mas isso atraía os urubus e as pessoas se incomodavam em ver sua agonia.
[ Quem gosta de ver nos fragmentos partidos do espelho de uma alma quebrada seu próprio rosto o julgando, acusando sua negligência, sua culpa, e principalmente, seu próprio estado decadente...ninguém gosta de ver um estado eminente.Ninguém gosta de sentir responsabilidade pelo estado dos outros.]
Ela então parou de gritar.
A primeira coisa que costurou foram seus próprios lábios.
Com belas linhas brancas.
Quando queria gritar ou chorar ela enfiava a cabeça num balde que deixaram perto daquele escombro orgânico, já que ela chorava tanto , molhava tudo...o balde seria útil, ela chorou lá dentro.Quando queria gritar enfiava a cabeça na água salgada e movia os lábios nas linhas e emitia um som gutural...assim ninguém ouvia.
Ela também bebia aquela água. Era a única que tinha, amarga, salgada, suja...
Ela aprendeu a dar valor a cada lágrima e ver que cada gota era um segundo de vida que surgia, que lhe dava força para fazer o que deveria fazer...
[ Save yourself ]
Então começou a tirar os cacos de vidro da pele, da carne...
E gemia, gritava em silêncio.Chorava.Bebia.
Tirava aquele pedaço de seus pulmões...
costurou sus intestinos, as pernas...os músculos, tudo cheio de cicatrizes.
Mas depois de limpar tudo e tirar os ossos e espelhos...ela percebeu que três coisas tinham se perdido e ficaram inutilizadas.
Sua alma. Se tornou um monte de pedaços de vidro espelhado com momentos tristes, os felizes se tornaram a linhas coloridas que agora cobriam cada ferida.
Ela não queria aquela alma mais.Sem brilho, sem amor, sem fé.
Seus ossos, também quebrados , fracos...
Seu coração.Onde o maior pedaço de vidro e osso havia se enfiado...deixando-o impossível de costurar, virou uma sopa de pedacinhos de músculo...não batia mais.
Esse ela jogou para os urubus. Eles, agradecidos lhe deram um par de asas de presente, ela colocou no lugar do coração, e estas asas negras começaram a bater bombeando seu sangue...
O sangue que ela conseguiu recuperar, que as pedras do solo devolveram por compaixão...que os cactos absorveram e por virem seu esforço dera-lhe de volta, só suficiente para que tudo voltasse a circular. Um novo sangue viria limpando o fedor do velho podre e oxidado.
Seu coração fora destruído e seu amor havia se espalhado pelo deserto.
Ela amava os urubus, as pedras, a areia, os escorpiões, as cobras, os cactos.
O sol que ajudou a secar as feridas.
Ela passou a amar o deserto...e sabia que por ele havia muitos ossos de animais mortos.
Ela então passou a rastejar pelo deserto como as cobras lhe ensinaram, a procura de ossos...para se montar, e levantar.
E ela foi achando aos poucos.
Quantos dias ela chorava por não agüentar mais.
Mais um pouco...rasteje.
Ela encontrou pedaços e pedaços de ossos, e juntava.
Um dia conseguiu o que dava para montar um esqueleto inteiro.
E engoliu cada pedaço de osso.
Eles foram tomando os lugares vagos...e ela sentiu que já tinha uma estrutura.
Pela primeira vez ficou de pé.
Agora faltava achar sua alma.
Criar...
E quem sabe um coração de verdade, dai quem sabe aquelas asas pudesses ir para suas costas, e ela poderia voar.
Ela era agora apenas um corpo fechado, costurado com toda força do mundo com linhas coloridas.
Refeito por si mesma, pela dor de tirar cada dia ruim, cada mágoa.
Apenas havia cicatrizes.Ela nunca esqueceria.
Seus lábios ainda eram costurados...mas sorriam. Os olhos sorriam.
Muitos dos que passavam achavam um horror aquela figura.Achavam-na triste...
Era apenas as marcas.Talvez a falta de uma alma e um coração.
Mas ela era feliz, feliz por orgulho a sua força, por ter uma busca.Por mesmo sem ter coração ou alma, ela ainda preservava virtudes.
Ela ainda amava as coisas todas.
Ela preservou o respeito, o carinho, a compaixão...coragem, força de vontade.
Aprendeu a dar valor a todas as coisas e situações.
Sempre que via um corpo quebrado, ela lhe ensinava como criar linhas...e sempre tinha agulhas feitas daqueles ossos inúteis, ela fez muitas agulhas.E dava a estes corpos, tava alguns pontos e dizia em silêncio : salve-se. Sorria com os olhos.Limpava as lágrimas sempre...bebia-as...aprendeu a saborear as lágrimas.
Ás vezes encontrava corpos desmaiados...ela não conseguia deixá-los lá...costurava-os escondido. Ia embora em silêncio.
Ás vezes ela só estava lá para beber as lágrimas de gente que temia tanto chorar...
E algo começou a nascer dentro de seu corpo...sim, aquelas lágrimas...ela bebia, por amor, compaixão, por entender a condição humana...elas se condensaram e começaram a dar origem a uma minúscula pedra que era a origem da sua nova alma.
Não pense que foi das tristezas alheias que este ser criou a semente de uma alma, e sim de compartilhar a condição sensível e frágil de cada pessoa.
Via a leveza após a enchente.
E ia embora sempre em silêncio.
As vezes ela pensava em romper as linhas que havia em seus lábios.
Mas não...alguma coisa dizia que seu silêncio era melhor.
As vezes ela pensava em um coração.
E uma lágrima escorria em seus olhos.
Ela sabia que coração era o mais difícil.
Durante os dias ela gostava de aprender coisas novas e se superar sempre, sempre na solidão.
Aprendera a conviver com ela.No silêncio.
Durante a noite era o mais difícil...parece que o frio do deserto nunca a abandonava, ela sentia um frio que nunca passava...as noites eram mais agonizantes, o frio lembrava dos momentos difíceis...
Ela abraçava seu corpo e prometia a sí mesma nunca mais se abrir para que sua alma fosse apedrejada.
Alí dentro ninguém entraria.
Nem mais ouviria sua voz.
[Mal sabia ela que por isso sentia tanto frio.
Que ela precisava era construir uma alma inabalável.
Um coração resiliente...
E saber cantar.
O calor viria apenas assim...quando deixasse que abrigassem junto com suas costelas.]

Rette Mich...
