domingo, 8 de março de 2009

Inconsciência

De tantas pessoas que perdoei...
Dessa vez dependo do seu perdão.
Dessa vez eu errei
sem saber.

Sei que você teve pouco tempo para me conhecer.

Essa é minha ultima chance.
Então releve esse instante, para que eu volte a viver.

Não consigo dormir, não consigo comer.

Só consigo pensar em você.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Xadrez

Não consigo dormir, meu remédio já não faz mais efeito.
Qual será o problema?
Por que as coisas me afligem nos horários mais vazios?
Não poder ligar para ninguém...

Contar.

Me disseram para eu ser eu mesma sempre.
Levo isso ao pé da letra e me ferro...porque ta todo mundo cheio de armaduras e armados até os dentes.Quando você quer apenas conversar, eles te colocam num tabuleiro de xadrez.
Eu não gosto de guerras assim.
Eu não tenho armas, nem máscaras, nem armaduras...
Só um tanto de palavras sinceras.

Ser ou não Ser , eis a questão...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Agulhas

Tatuei um pequeno beija-flor na minha barriga sobre um jardim de lótus...
Ele não será vermelho, mas será colorido, pintado...com agulhas.

Quantas vezes terei que me lembrar da minha natureza...imersa na multidão de incolores, eu , a única policromática caminha sozinha na multidão de sorrisos vazios e embriagados.
Não quero ser crítica, prometi guardar somente pra mim a visão do inferno na multidão de zumbis.

Isso tudo para lembrar quem eu sou.
Tantos normais fingindo de loucos. Eu, louca, fingindo de normal.

Mas eu me pinto, mais e mais, mais estranha, mais bizarra.
Mais misteriosa, mais eu, singular.
Me orgulho...meu psiquiatra e ''mestre'' diria para eu não me pintar senão meu destino seria ser banido da multidão.
Não, ele não conhece meus modos de agir...como um príncipe de maquiavel.
Quando eu quero, eu mesmo me segrego.
Quando eu quero, eu mesma me agrego.

Tem lugar que vale a pena, outros não.
Mas sempre serei aquela.
Louca.

Mas feliz, orgulhosa, independente.
Amando e respeitando meus amigos, procurando contribuir com a felicidade de quem merece.
O resto que não vale a pena merece o descarto bruto.
Existe gente que se joga no buraco dos meus conceitos por coisas pequenas.
E outros que crescem por coisas tão pequenas quanto.

E eu?
Continuo sorrindo, de cabelos vermelhos, tatuada, atrapalhada, falando demais, brincando demais, fazendo o que ninguém faria, sempre com meus amontoados de livros rabiscados, e cigarros, aquela coisa tão estranha pequena e ocultamente transparente.
Orulho-me disso, dessa falta de jogos...[apesar de amar jogar um xadrez]
Dessa falta de máscaras.

Nesse teatro, quem sou?
A observadora.

Sempre na espreita, como um lobo...farejando.Sinto esse cheiro de podridão fácil.
Também, meus caros, com tantas pancadas eu deveria aprender a ser mais astuta.
Aprendi.

Depois de tanto esmagar minha auto estima, agora orgulho-me disso que sou sem medidas, ate parecer incoveniente.

Mas sei de todos meus erros, falhas e de cada parte de mim que apodreceu.
Sei que não fui capaz de respeitar e manter o maior tesouro da minha vida.
Fui medíocre, falsa e tudo de pior com quem não merecia.
E tive o troco, a terra girou, o mundo deu voltas e eu paguei olho por olho, dente por dente cada segundo que causei. Pago com honra, eu merecia.

Então com perdas e ganhos,
a brisa do vento, verde dos campos.
Eu, pássaro pintado, eternamente único...quase um lobo solitário lendo sobre política.
Segregado e agregado, reconheço meu destino.

Conheça-te a ti mesmo.

Eu me conheço. Cada dia.
E você que se esquece, que muda, que apaga suas cores, que se agrega a multidão de zumbis e cascas.Você normal que se finge de louco, no fundo quer fazer parte dos risos vazios por medo de levar o peso de ser quem tu és.Digo isso a todos e a ninguém.
Como Zaratustra dizia.
''also sprach zaratrustra, eine buch fur alles und keine''
[Assim falou Zaratustra, um livro para todos e para ninguém.]


''Torne-te quem tu és''


E quantas agulhas hão de marcar meu corpo lembrando-me de quem sou?
Dor e Cor.

Eu escolho. Eu assumo. Não tenho medo.
Estou rindo sempre do desespero.

Como dizia o rei espartando quando falaram que flechas iriam tampar o céu:
- Então lutaremos na sombra.

Liege
Eine rot blume! :)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sonneuntergang

O pequeno príncipe conversou com a serpente....ela lhe prometeu voltar pra casa.
Abandonou muita coisa importante...e seu próprio corpinho precário.
Ele apenas tombou na areia como uma folha que cai levemente ao sonneuntergang (por-do sol).
Eu sempre tentei explicar a característica dos pássaros: rápidos, velozes, fugazes, solitários, frágeis , corajosos, ambiciosos...como se nenhuma altura fosse o bastante...como ícaro, nós, pássaros cairemos um dia do lugar mais alto...o chão se espatifará como um espelho.
Destino de pássaros.

Eu já tive um...ficou na minha gaiola alguns dias depois fugiu. Deu aquele vazio no meu coração...eu ia alimentá-lo todos os dias e ouvia ele cantar.
Depois descobri que ele prefere voar no risco e viver na iminência de morrer de fome do que ficar numa gaiola. Ele sente falta de mim...mas a natureza de cada um fala mais forte, um dia ela simplesmente grita e se você não ouve é como um suicídio pior dos que eu já tentei.

Já estive no buraco diversas vezes.
Dessa vez alguém me tirou de lá, pela primeira vez alguém me salvou.
Disso eu nunca vou esquecer, sei que ninguém mais vai me salvar se eu cair, eu levantarei sozinha...mas dessa vez não sentirei ódio de ninguém porque me lembrarei de você...e eu não posso sempre depender de alguém para me salvar, mas foi bom ao menos uma vez...foi muito bom...acho que eu nunca fui tão feliz.

Mas não posso ficar pra sempre...eu queria.
Minha natureza não deixa.
Ninguém vai entender.

Como ninguém entende muito porque o pequeno príncipe foi embora.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pensamento

Acho que me sinto como o Pequeno Príncipe.
Ninguém entenderia.
A culpa não é de ninguém.
Eu nasci assim, só isso.

Eternamente Pássaro Pintado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fim

Já fui de escrever bastante...sim já fui.
Me expressava relativamente bem, um pouco pessimista talvez.
O texto abaixo mostra um pouco do meu ultimo grito fora de um cativeiro.
Aconteceu que eu permiti que todo lixo viesse pro meu lado, que eu sumisse de mim.
Um sequestro.
Fiquei num cativeiro longe de tudo que eu era.

Ja fui tanta coisa.

Ja perdi tanto tempo.
Lamentando ainda mais.
Chega né?

Dessa vez nem vou chorar o que aconteu.

Já estou em casa, segura, bem cuidada.
Minhas feridas fecharam.
Tem alguém cuidando de mim.
Me fazendo lembrar do que é de fato uma vida saudável.
Assim eu esqueço do mal que me fizeram e do mal que eu me fiz.

Sem culpados.Sem vítimas. Apenas fatos.
E um fim.

E ele chegou.

PS:Mas meu blog volta agora pra atividade! =) bem-vindos.

domingo, 19 de outubro de 2008

Ich liebe mich

Tire suas sandalhas que este território é sagrado.
Recolha seu lixo e despeje em outro lado.
Não deixe sua podridão em mim quando passar pelo meu caminho.

Ja estou entalada de lixo que não consegui digerir.
O fedor do meu interior exala e contamina todos ao meu redor.

Respeite-me.
Se tu não sabes respeitar os outros, recolha-te.
Mas respeite o solo que pisa...como disse o poeta,

''Se tivsse panos bordados dos céus, eu espalharia sobre teus pés;
Mas sendo eu pobre tenho somente os meus sonhos;
Eu espalhei os meus sonhos debaixo dos teus pés;
Pise com cuidade porque estás pisando nos meus sonhos''

Então, tire seus sapatos e respeite meu território puro, não quero suas mazelas.
Se precisares de ajuda estendo minha mão, mas não me suje, não suje meu mundo.
Não roube meu amor por mim mesma, não compartilhe comigo suas desgraças.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Boicote

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Na Minha Pele


De tudo que escolhi para ser eterno intocável e inabalável, sobrou só a mim.

Eu, eterna intocável e inabalável.Mesmo que eu seja mortal, violada e desabe demasiadas vezes.

Eu, que mudo constantemente como qualquer coisa cuja existência faça parte desse mundo, defendo até o coeficiente das minhas alterações.Do que fui, do que sou do que serei, defendo cada instante, casa segundo de ser.Respeito meu passado, minhas escolhas erradas e certas, defendo pelo simples fato de serem escolhas escolhidas, e não algo que deixei no meio do caminho sem identidade nem nome e letras grafando estas páginas obscuras e sublimes.

Eu, estas páginas manchadas sou eu, seja feio ou bonito, não importa.

E por mim, pelo que escolhi de eterno enquanto viva estou, defenderei minha identidade mutante, estranha e indesejável onde ela for.

Não haverei eu de renunciar ao meu nome, e sim você renunciar sua imposição a alguém que não se curva. Se me curvo, será para igual ao bambu com o vento, que flexível deita na tempestade e logo em seguida corta a correnteza sonoramente como uma rajada e onipotência.

Eu, sim sou meu deus.

Só eu que choro por mim, meus sorrisos para mim são meus, e mais de ninguém, minhas dores nunca serão suas dores nem minhas vitórias serão suas vitórias.

Se queres fazer parte de mim e que eu te adere ao meu corpo assim como aderi minhas tatuagens e estes desenhos na pele, se queres fazer parte da minha pele ou do meu corpo para que eu te leve junto com minha eternidade, esteja comigo então assim, perto como a tinta dentro da carne, e fora como a tinta aos olhos alheios, esteja comigo perto e presente e vivo como cores ardentes.Me orgulharei de você e carregarei assim como carrego estes desenhos que amo, amarei você mesmo que no futuro você perca o significado, amarei aquele momento que te gravei em mim, passado marcado para não ser esquecido.

Pois eu disse e repito : cada parte e cada minuto de vida carrego comigo.


Não nego, não arrependo, nunca, isso afirmo : cada segundo de vida levo para meu curto infinito.


Esse espaço entre a vida e a morte cujo meu corpo de carne pertence.Após isso é podridão, quem sabe um Deus mais eterno que eu esteja de fato lá...onde agora parece não estar.
Eu estou para mim.


Do mundo só resta eu, defeituosa assim, perfeita.
Eu só posso me achar perfeita nessas deformidades que fazem o desenho que sou, para isso existo.
E digo, não nego, não me pinto de preto, sou cores.Muitas.
E digo, não nego, vôo sem medo, sou asas.Muitas.
Pássaro Colorido.

Por tintas na pele, a única coisa estável na minha instabilidade ontológica( de ser em Ser ).Tintas e formatos, linhas e cores.Flores.E a Liberdade que busco.

Digo, Eu: árvore, negra , de tronco nodoso e agressivo me estendo até a luz do dia e de flores a delicadeza se expressa quando uma vez ao ano, a cerejeira respira.Árvore, cujas raízes se estendem também pelas trevas inerentes ao corpo humano.Trevas: o saber, a árvore da sabedoria, do fruto proibido eu sou.Eu sou. Eu sou.

Essa sabedoria

Essa proibição

Essa beleza

Essa agressão

A rosa das rosas, vermelha rosa solitária num asteróide sem mais vidas habitadas, o pequeno príncipe já se foi.Resta Eu, rosa, com espinhos e três folhas.Pétalas vermelhas-sangue de Cristo.
[aquele derramado por amor]

A rosa humana, tão breve se estabelece entre aquele tempo do nascer ao morrer.Brevidade, precariedade de tempo e sublime delicadeza,

Se contrasta com a singularidade beleza
Que está prestes a secar, definhar...e perecer.
Com apenas meus espinhos para me defender.
Meus.

E de tudo o que mais há para ser conquistado é a Liberdade triunfando sobre a submissão: Subversão.
De mim, de você, da ordem, da desordem.
Liberdade de pensar, de viver, de morrer.
De colocar em mim o meu querer.

Na alma, no coração.

E principalmente no óbvio : Na minha pele.

E tudo isso, Eu, é nada mais do que o mais importante : meu Ser.

Liege S Adjüct