sábado, 15 de setembro de 2007

Sob Girassóis


E se de repente você descobrisse o que mais quer fazer na vida?
E não só...descobrisse o motivo da sua existência?
E que seus piores inimigos são tão sutis e inteligentes quanto você?
E que ''na mesma fenda que o sol se põe sua inteligência tange sua solidão''?
E que o caminho da inação é a prova de maior coragem em certas circunstâncias?
Quando você simplesmente não consegue não-agir.
Então você descobre que tem agido pro lado errado...

Que andar sem rumo é ás vezes a melhor coisa a fazer...sentar num balanço e ficar vendo tudo indo e voltando...e seus pés tocarem ilusoriamente o céu pisando nas estrelas.
Então você sente falta das coisas desinteressadas...de brincadeiras idiotas e rir sem razão.

Mesmo vendo que o mundo é um caos, que as pessoas estão muito insustentáveis e cansadas de tanto peso...um peso que você gostaria de carregar para vê-las em paz um pouco...e sabe que é isso que terá que fazer de alguma forma, porque nasceu pra isso...e simplesmente não consegue parar de mover as mãos e ouvir e ver imagens mudas...dar palavras a elas...e esperar a música trazer o som, finalmente...para tudo isso que está prestes a acabar. Você sabe?
Acabar!!! Ir embora...a razão da sua existência é efêmera! Por isso você sente simpatia por flores...por isso eu sinto...por isso eu existo... por isso minhas mãos se movem...e eu sou muda...não posso dar vida e som às palavras...só formas às linhas...e esperar que alguém ilustre ou cante seu destino em direção a decadência.

Mas você sabe...[eu sei]

...que tudo começa numa decadência....que o colapso e o declínio é o que dá movimento ao que nasce e morre e nasce...

E se você tivesse que presenciar a morte de tudo que você ama?

Então eu descubro que meu corpo está imóvel demais...então quebro-o todo para ficar mais flexível e ver os inimigos sutis atrás das árvores aqui dentro da minha cabeça....e das falsas crateras da lua...e dos asteróides cujo único morador agora é uma rosa [que não se vê] , porque quem tinha que estar lá se foi ...para depois se dar conta que lá residia a razão de sua vida!...e por isso as estrelas são belas!

...e eu agora piso nas estrelas...e ando sobre elas...porque sou pequena demais e grande demais...

E sou tudo e nada.E eu nem sei o que sou...eu só sei quando ando sem rumo brincando de voar poraí...e escrever coisas que saem jorrando da minha cabeça sem sequer pensar muito sobre isso...na verdade eu não deveria mais pensar...

Eu só deveria escrever....
E assim já estaria fazendo o que mais gosto!
Você não entende que não há nada de triste nem trágico nisso?
E que isso é mais importante do que uma vida calma...das coisas que sempre achei que deveria querer...para me sentir normal , comum...em uma estranha paz e num equilíbrio falso?

Você entende? Eu queria que entendesse , seja quem você for...então você saberia o que é não existir...e que quem escreve isso é simplesmente o maior paradoxo que ela mesma já conheceu...digamos que ela é uma perseguidora de paradoxos...de coisas que não deveriam existir..nem acontecer...e então ela se descobre [descobre que ama existir!]

...e então desaparece...

Você entende?

Então não há mais o que escrever por hoje.

Bem-vindo ao meu mundo.
Amanhã ele não estará mais aqui...
Mas não se preocupe...ele sempre volta quando o sol se põe...

Sobre aquele campo de girassóis cujo solo eu gostaria de deitar...
e me sentir uma dessas flores...
e secar quando esse sol se por...
e deixar meu mundo vagando poraí....para que alguém o encontre e organize.

Então aquilo já não será mais meu.





Então toque uma melodia bela que me toque e assim eu possa continuar a escrever...



.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

A Praga


Expectativas são um inferno!
Nunca deixe-se tomar por elas...elimine-as sempre que surgirem!
São como os baobás do livro ''O Pequeno Príncipe''.Como sempre...tudo lá é muito metafórico...por isso que eu gosto tanto...
Baobás surgem como plantinhas inofensivas , se não arrancamos se tornam grandes árvores apoderando-se de todo espaço disponível , um grande problema!
E as expectativas? Elas começam humildes e silenciosas e se transformam na maldita esperança.
Esperança também é outro inferno. Um ''urubu pintado de verde''.

Isso tudo em relação a qualquer coisa.Da mais simples a mais complexa e grandiosa.

O jeito é andar sem olhar para tras, sem olhar demais para o final da estrada ( você pode acabar tropeçando numa pedra e esburrachando no chão , ou cair num belo de um buraco ).

O jeito é andar descontraído, indiferente...

No meu caso ando quase que anestesiada.Talvez chegar a esse ponto não seja bom.
Mas consigo sorrir sempre.E as adversidades pra mim são cenas que passam...as vezes eu me esqueço e acabo me identificando com esses filmes...então fico mal, choro, fico pessimista , etc.
Mas sempre chega segunda-feira , acordo cedo , tomo um banho gelado e Acordo...tudo não passa de um filme patético , passado , futuro...não importa.

Prefiro dar-me um presente contemplado.

E tenho surtos de serenidade, ainda não cheguei lá.
Talvez eu chegue quando passar um fim de semana em casa , mofando , sozinha, sem nada pra fazer e isso não me deixe p. da vida.Quando eu aprender a contemplar o tédio dos finais de semana serei quase um Buda! hehehehhee.

É nesse tédio que paro pra pensar coisas idiotas, que paro pra perguntar como as pessoas agem como agem...o por quê das pessoas viverem a vida como um jogo ridículo, medíocre e patético...como palhaços num circo...ou atores de uma comédia,tragédia...
Eu alí...na platéia , ou nos bastidores. As vezes rindo , as vezes chorando....mas na maioria indiferente...ou maravilhada com essa capacidade humana de se iludir com a vida.

Desse modo pareço uma pessoa prepotente, que se acha superior...Eu não sei o que dizer para convencê-lo de que não penso assim e muito menos sou isso.Eu já vi que de um modo ou de outro também faço parte dessa escória humana e que compartilho a condição de ser humano com todos os demais.

Seres humanos são flores : efemeridade e beleza , fugacidade...delicadeza e alguns espinhos ( no caso das rosas ).

E nessa bagunça toda eu fico querendo destruir o palco e a farça e dizer com palavras sinceras o que eu quero tanto falar para cada pessoa...mas uma parede de vidro me separa delas , essa parede é a maldita regra do jogo que eu não jogo...mas tenho que respeitar ( ou não ).
Talvez precise de mais coragem pra jogar uma pedra nesse vidro...tenho medo dos pedaços machucarem alguém, porque essas pessoas a qual me refiro são pessoas que amo...

Então fico do outro lado , vendo-as nos seus equívocos...por mais que eu grite , elas não acreditam.

Então eu sigo meu caminho , tentando não olhar pra trás , com o coração doído...e um belo horizonte a minha espera.Como eu queria que as pessoas que amo compartilhassem essa caminhada comigo...me sinto tão só aqui.Mas me sinto tão feliz!

Então aprendi a não esperar mais nada...e apenas caminhar.
As vezes vale uma injeção urgente de anestésico direto no peito esquerdo.
Ou entrar debaixo do cobertor e esperar segunda chegar!
Então tenho cinco longos dias de prazer , paz e alegria.

Meu plano agora consiste em fazer isso nos outros dois dias.
Aceito conselhos! ^_____^

Um abraço a todos,
Liege.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Círculo Perfeito

Quando ela abre os olhos , se encontra de frente para a porta do seu quarto...e a abre , diante do que era um corredor com piso de madeira e paredes brancas , agora ela vê um infindável gramado...

Então a mulher dá alguns passos para fora e parece que andou quilometros por esse jardim e a porta ficara distante.... continua andando...até encontrar no meio de tanta vastidão uma rosa...
Bela rosa branca perfumada.
Ela então senta-se com as pernas cruzadas para contemplar um pouco essa delicadeza...e também porque estava cansada de andar.

A garota então percebe que a rosa abre-se mais e mais...e de repente suas pétalas mais externas começam a ficar com as bordas amareladas...marrons...secas...
E como um câncer, a doença se espalha por toda a rosa...secando de forma centrípeta, sugando toda a vitalidade da planta... as pétalas secas caindo....a corola murchando e tombando sobre si mesma. Então a doença desce pelo caule...e tudo fica seco e podre.

A rosa está morta.

Ela então sente um vento vindo de qualquer lugar...que passa pela flor moribunda e leva seus restos secos para longe...dispersando-o em cinzas.

O processo foi extremamente rápido...como se alí o tempo fosse acelerado.
Mas ela sente que não...que na verdade alí não existia tempo, nem muitas das leis que regem os lugares que ela considera ''normais''.

Então...ela olha para própria mão, e nota surpresa que no meio de sua palma há uma pequena semente.
Como por instinto , a menina então começa a cavar abrindo um pequeno buraco na terra arrancando a grama...planta a semente e cobre com terra macia.

Então começa a chover levemente...

Ela já sabe o que vai acontecer.Sente que naquele momento a semente esta inchando-se de água, e aquela coisa inerte toma vida...
ela então pensa [ sementes são vida em potencial , porém sem vida. ]
A coisa agora viva então rompe-se dando origem a finas raízes e um caule que emerge da terra...

[ semente de rosa? estranho isso... ] – pensando inconscientemente.

O caule fino é verde vivo...mas ao crescer fica mais escuro...com folhas crescendo e tomando forma...e um início de botão de rosa se projeta. Tudo muito rápido...
E acontece o mesmo de antes.

Cíclo vicioso...porque?

A criança então levanta-se da grama...e começa a caminhar...começa a ver tudo se tornando círculos , tudo formando esferas perfeitas que giram e giram...ela também é uma dessas esferas...
E começa a levitar...subir...

Até perceber que são longas espirais tomando uma certa direção e perdendo-se nos horizontes...

Ela também é uma espiral...

...Em um embrião agora...que vai diminuindo , diminuindo...

Então ela acorda com o despertador , 06:30.
Pega um lápis no criado-mudo e um caderninho e começa a anotar seu sonho...

E o dia está só começando.

[ Liege ]

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Conforto



Melhor coisa do mundo! ^_^

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O Fundo do Poço

Uma das melhores escolas da vida é o tão temido fundo do poço.

Somente quando você cai...se esfola, se quebra lá embaixo, sente o cheiro fétido da podridão, se alimenta dela...quando você se vê parte da escória humana....somente assim você pode dizer que viu e sentiu de tudo.

O orgulhoso, o vaidoso,o egocêntrico verá seu espelho partir, verá que não passa de um mero humano.

Enxergará a própria condição frágil de ser humano.O sabor da condição humana.

Se ele se achava superior, verá que há grande semelhança entre eles e os outros: o sofrimento, a decadência, a fragilidade, a vulnerabilidade.

Se em contrapartida ele se achava inútil e pequeno demais, verá ao provar da podridão que pode ser muito mais, que é muito mais que aquilo.

Alguns costumam ficar muito tempo, precisam se sujar muito até perceberem onde estão...e que ali não é pra ser definitivo.

Outros mal tocam na sujeira e já sabem que precisam sair.

Muitos caem muitas vezes em vários poços.

E quantas cordas jogam para os decaídos?

E quantos tolos inocentes acham que esse é o modo de sair?

Sobem na corda...e lá do alto ela se rompe.

Porque ninguém sai do poço com ajuda ou dependência de uma corda , de alguém.

Sair do poço requer que você crave suas unhas na parede e se erga.

Que você abra os braços e escale, que se esfole...que a carne viva apareça, que o sangue escorra, que o suor arda.

Sair do poço é um dos melhores gostos que um ser humano pode provar.

Ver a luz perto,engolir a dor, a preguiça, o desânimo, o choro, a angústia...o que for...engolir, digerir e transformar em força para subir mais e mais.

As vezes você volta a cair lá de cima.

É provável que joguem muito lixo no seu buraco.

Nada disso importa.

Tudo vale o sabor de sair de lá.

É melhor do que muitos prazeres da vida.

E vicia , escalar vicia.

Seja o poço...seja a montanha que se ergue depois que você sai.

E você passa a ver tudo com outros olhos.

O Pôr-do-sol.

O escuro não amedronta mais quem já esteve no buraco.

Quem perde tudo.

E o nascer do sol se torna singular.

Cada nascer é único.

E sua vida passa a ser subir e subir.

E se você cai, se te jogam no chão , no buraco.

Você sorri, cheira a podridão com coragem, saboreia o gosto do fim do mundo.

E sobe.

Não há nada mais a perder.

Não existe nada melhor do que saber que você é ninguém , que você sabe nada , que suas crenças e sonhos eram ilusões , que o mundo não é o que vocÊ pensava , que as pessoas não eram o que você acreditava ser, que sua sabedoria não vale muito...que você nada sabe.

''Só sei que nada sei''.

Isso é ser humilde.Ou você é...

ou o buraco te ensinará a ser.

A ser nada.

Porque só do nada que se constrói algo...

Só quem morre pode nascer.

E não há nada melhor do que isso.

Isso é uma das faces da felicidade.


Subverta sua própria condição.


[ Para um amigo que se encontra agora lá no fundo.Para vários amigos que estiveram lá...para quem ler.Para que eu nunca esqueça nos lugares por onde andei.]

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Help me to breathe


Duvet - Bôa

And you don't seem to understand
A shame you seemed an honest man
And all the fears you hold so dear
Will turn to whisper in your ear
And you know what they say might hurt you
And you know that it means so much
And you don't even feel a thing


I am falling, I am fading,
I have lost it all


And you don't seem the lying kind
A shame that I can read your mind
And all the things that I read there
Candle-lit smile that we both share
And you know I don't mean to hurt you
But you know that it means so much
And you don't even feel a thing

I am falling, I am fading, I am drowning,
Help me to breathe
I am hurting, I have lost it all
I am losing
Help me to breathe

domingo, 19 de agosto de 2007

O Definhar


Eu...
que já fora limpa e vívida.
Sorridente e alegre.
Elevada.

Tudo tem um fim...
Um inverso.
E neste momento seco...definho...
Insuficiente de ar.
De água, de tudo e muito mais...

Intoxicada.
De tudo e muito...muito mais.
E muito menos.
De tão pouco.

Reguei todas as flores do meu jardim antes de ir embora.
Deixei tudo belo e perfumado.

Para ficar ausente , finalmente.

Ir para qualquer refúgio invisível.
Caminhando pelo deserto...ou perdida no mar.

E as palavra tão inúteis.
Esta vida secreta de palavras.
Sempre fui apaixonada por palavras.

Por isso só deixo este ultimo presente : minhas palavras sinceras.

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Renúncia

Rama das minhas árvores mais altas,
deixa ir a flor! que o tempo, ao desprendê-la,
roda-a no molde de noites e de albas
onde gira e suspira cada estrela.

Deixa ir a flor! deixa-a ser asa, espaço,
ritmo, desenho, música absoluta,
dando e recuperando o corpo esparso
que, indo e vindo , se observa , e ordena, e escuta...

Falo-te , por saber o que é perder-se.
Conheço o coração da primavera,
e o dom secreto do seu sangue verde,
que num breve perfume existe e espera.

Verti para infinitos desamparos
tudo que tive no meu pensamento.
Era a flor dos instantes mais amargos.
Por onde anda?No abismo.Dada ao vento...

( Cecília Meireles )


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Eu sempre disse que as flores são efêmeras.


segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Segunda-feira

To vindo aqui só pra dizer uma coisa : AMO segunda-feira!!!!! ^____^

Segundas são os melhores dias!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Estrelas Pessoas e Estranhos

'' As estrelas são tão belas por causa de uma flor , que não se vê. ''

As pessoas são estranhas!
Realmente estranhas!

As pessoas são belas , intrigantes e estranhas!

Na verdade não são pessoas , são estranhos.

Ainda bem que tenho as minhas pessoas!Que não são estranhas. ^^
Pessoas que compreendo , que me compreendem...até quando não sei explicar!
Minhas pessoas compartilham minha existência e fazem minhas palavras terem sentido.
Com elas nunca falo em vão.
Amo-as.
São minhas e eu sou delas.

E por alguns momentos me sinto em casa!

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Por que as estrelas são belas?
Por que a flor tem que estar oculta?

Por que as pessoas são estranhas?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Lavoura Arcaica

"O tempo, o tempo...
Esse algoz às vezes suave, às vezes mais terrível.
Demônio absoluto conferindo qualidade a todas as coisas.
É ele ainda, hoje e sempre, quem decide.
É por isso a quem me curvo cheio de medo e erguido em suspense me perguntando qual o momento... qual o momento preciso da transposição.
Que instante... que instante terrível é esse que marca o salto.
Que massa de vento?! Que fundo de espaço concorrem para levar ao limite? O limite em que as coisas já desprovidas de vibração deixam de ser simplesmente vida na corrente do dia-a-dia, para ser vida nos subterrâneos da memória..."

Lavoura Arcaica - Raduan Nassar